quinta-feira, 29 de junho de 2023

Na estrada

Vou
fundo
reviro mundo
respiro profundo
sangue transfundo
mente e coração fecundos
apaixonados em segundos

Barro, mato e areia
mar azul, linda sereia
estrada, vila e aldeia
vida inteira, lua cheia 
o que não fica a alma permeia

Volto
embora
não demora
você me seduz e devora
E agora?

Reencontro
imensa arquitetura
miscigenada cultura
infinita aventura
razão da minha loucura
imperfeita e linda mistura...

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Falta de educação… e de inteligência

Uma das grandes marcas dos regimes de direita é o descaso com a educação, com a ciência, o pensamento e o conhecimento. Por isso a elite adora os destros pauperis! Executam o serviço sujo para eles sem pensar, literalmente. Sendo assim, qual seria a melhor fórmula para perpetuar modelos econômicos concentradores de renda? Sim, a falta de educação.

Esse modelo tão simples quanto cruel, a direita tupiniquim vem reproduzindo, de longa data, nas terras brasilis. Agora mais recentemente na falta de melhores nomes, a direita brasileira se valeu mesmo de uma quadrilha boçal e mequetrefe para instrumentalizar o seu “plano” de governo.

Em troca dos serviços prestados, a destros opulentus, direita rica e detentora dos meios de produção, fez e continua fazendo vistas grossas para rachadinhas, genocídios, milícias e até furto de jóias da quadrilha bolsonarista. E apesar dessa quadrilha ter sido retirada do poder em termos nacionais, no estado de São Paulo uma parte do bando encontrou refúgio. 

A elite trata educação como se vê agora na famigerada discussão do ensino médio. A destro opulentus defende um modelo de aprendizado servil e técnico, sem inteligência e pensamento crítico. Porque será? Formam-se gerações de graduados e pós-graduados defensores do modelo econômico neoliberal, sem noção e consciência de classes sociais.

A direita pensante e organizada dá, ainda, para essas gerações pseudo escolarizadas, como souvenir, coisas como o tal do chat GPT, porque afinal pensar cansa! E o que poderia ser um valioso instrumento auxiliar vira um produtor intelectual. Pois se a “inteligência” humana é preguiçosa e subdesenvolvida, a artificial, controlada pela elite, atende bem aos objetivos desta última.

Além da educação, ou da sua falta, outro pilar estratégico para a elite é o sucateamento do Estado. No caso de São Paulo, e o seu último front bolsonarista, observa-se estudos para a desestatização de serviços essenciais como os prestados pela SABESP e CPTM. Num país predominantemente pobre e carente, cogita-se transferir para as sedentas mãos de lucro do Mercado o básico, sim o saneamento básico.

Mas isso fica para outro rabisco, já é tarde ou cedo…

terça-feira, 9 de maio de 2023

RITEIRA… sem eira nem beira!

A porra-louca mais careta...
de língua de fora
em versos e prosa
que agora some e… demora
pois tudo é choque sem Rosa

Imagino a dor e alegria de Caetano
ao te traduzir em Sampa
poeta perdido na tua amada cidade
entre o acerto e o engano
teu verdadeiro sentido e identidade

Bailaste na fogueira do inferno
romântica, inquieta e intensa
mutante… de par eterno
de vários e sempre Robertos
que em nada e tudo pensa
pois sua alma, tão grande, compensa…

Eu sei lá o que falo
muito menos o que agora rabisco
só sei o que sinto
pois o que escrevi eu nem li
não arrisco…
saudade de você, Rita Lee!

domingo, 30 de abril de 2023

O genocida é POP!

Na qualidade de ex do BB, calma ex do Banco do Brasil, eu sei bem a relação fiel e secular que ele tem com o agricultor. E digo agricultor porque o BB já se relacionava com o agronegócios desde antes do agro ser POP. Aliás POP pra quem, cara pálida? Depois que a agricultura se industrializou, virou latifúndio, qualquer Bradesco, Itaú ou “coirmão” privado deles passou a botar o rico e estimado dinheirinho de banqueiro particular no negócio.

Quando o crédito rural era o de mais alta inadimplência da economia, causada principalmente pelos riscos que os antigos agricultores corriam, os banqueiros do “mercado” não tinham muito apetite pelo agro. Sujeito a chuvas e trovoadas, o segmento agrícola penava para pagar suas dívidas. Qualquer perda ou diminuição de safra era falta de recursos para pagar os empréstimos. A imprevisibilidade e falta de informações climáticas, ainda sem os recursos que temos hoje de previsões via satélite, além da ausência da moderna tecnologia, que agora há, deixavam o pobre do produtor ao Deus dará. E olha que Ele, de um jeito ou de outro, dá! Já o banqueiro privado…

Além disso, os baixos spreads, “lucrinho” do banqueiro, antigamente praticados no crédito rural não motivavam muito Setúbals, Aguiares, Moreiras Salles, Safras, Villelas e famílias a serem parceiros de crédito do agro. Pois a inadimplência elevada e, em especial, juros baixos nunca combinaram muito com o gosto do mercado bancário privado, né Campos Neto?

Mas para que todo esse intróito, ô cronista de botequim vizinho do banco? É… só para falar que a Agrishow, tradicional feira internacional de tecnologia agrícola, realizada anualmente no interior do estado de São Paulo, não terá esse ano o histórico e antigo patrocínio do Banco do Brasil. Em 2023, o evento, que movimenta muito dinheiro, com produtores rurais, agroindústrias, produtores de insumos, fertilizantes, pesticidas, fabricantes de máquinas do setor, não terá o Banco que cuida do setor desde o tempo das vacas magras, literalmente.

Entendam, meus pacientes leitores, que não se faz aqui apologia ao setor agrícola arcaico e superado. Não! O segmento, assim como todos os outros e a vida, enfim, precisa de alta tecnologia, ciência, robôs, máquinas e produção com ganho de escala, até para baratear o custo do alimento para a população. Só não combina com modernização, coisas como desmatamento, agressão ao meio ambiente, corrupção política, trabalho escravo, terras improdutivas, concentração de renda, fome e nem assassinatos de ambientalistas, indígenas ou de quem o POP não perdoa! Né, MST?

E essa banda podre do agronegócio, o POP, não gosta do tal de Lula, aquele senhor comunista que está na presidência da República. E em pleno exercício do mandato dele, legitimado pelas urnas, a Agrishow perdeu o patrocínio do BB. Pois o comando POP do agro, agora em 2023, preferiu “desconvidar” o Lula, o daquele planalto sem emas nem carpas, para poder convidar para o evento, prazerosamente e sem constrangimentos, o genocida, ladrão de jóias, de pobre, de trabalhador, de orçamento público, entre outros crimes. Questão de identificação, presumo eu.

sábado, 25 de março de 2023

Os juros e o sono eterno...

Enganei vocês…! Pensaram que eu ia rabiscar sobre o pornográfico patamar da taxa de juros? Não! Já falei muito nisso, vou deixar agora para o Edu. Pois nem precisa ser economista para entender essa didática explicação dele. Creio eu que o presidente do BC/PIX e sua claque neoliberal devem, ou pelo menos deveriam, ficar nús depois dessa aula do Eduardo Moreira Real. https://www.instagram.com/reel/CqNuhG_tJSL/?igshid=YmMyMTA2M2Y=
O merchan é grátis, ele merece!

Mas o que me fez rabiscar esta bagaça foi o comentário que li logo abaixo do post do Eduardo. Como esta crônica vai ficar autônoma em relação ao vídeo vou reproduzir aqui o comentário, sem dar destaque ao seu autor pois esse não merece merchan. Mas quem assistir o vídeo vai localizar o alienado comentário.

Mas vamos lá, o sujeito escreveu numa publicação que aborda a inexplicável, aliás explicável para interesses escusos, manutenção da elevada taxa de juros o seguinte “vai ficar falando só disso e ignorar o caso PCC vc Moro?” Provavelmente, o destro pauperis, recém saído de alguma porta de quartel, ignore o mal que a elevada taxa de juros faça na vida dele.

Era intenção minha dar um tempo nos rabiscos. Focar só em cuidar das finanças alheias e das minhas próprias, nesse caso tentando vender meu livro. Afinal sou um péssimo vendedor. Mas senti uma horrível pontada no fígado ao ler o comentário do provável bolsominion, o tal Mané! Se o humor é catártico para o fígado vamos aos fatos, com seriedade.

Até antes do marreco de Maringá, desculpem mas o humor é o elixir hepático, ser desmascarado em praça pública este cronista de botequim já colecionava rabiscos citando o histórico dele. Desde o caso do Banestado o desMOROnado já tinha mostrado sua cara. Depois disso ele foi o grande artífice do esquema “não deixemos o Lula ganhar a eleição de 2018”. O ex-juiz virou uma espécie de “galã” global.

Sim, a rede Globo, hoje pré-falimentar, foi uma das grandes fomentadoras do antipetismo. Ela que agora posa de “madalena arrependida” por ter ajudado a criar o monstro que ganhou as eleições de 2018. Só que o genocida endereçou as milionárias verbas publicitárias governamentais para a Record. Será por isso que a Vênus Platinada mudou de lado??

Em pouco tempo, recordemos, o ex juiz que condenou o virtual vencedor da eleição presidencial de 2018 à prisão, sem provas, virou ministro da Justiça do vencedor do mesmo pleito e, ainda, com a promessa de sua nomeação para o STF. Saiu do governo acusando o presidente de interferência no trabalho dele em razão de querer proteger a famiglia bolsonaro. Que Anderson e Marielle descansem em paz! Mas seus assassinos??

Para surpresa geral, menos para quem tem meio neurônio e um décimo de memória, o homem acabou apoiando a reeleição do sujeito de cujo governo ele se demitiu por interferência do próprio presidente. O apoio de Moro à reeleição de Bolsonaro, a quem alguns meses antes ele acusou de prevaricação? Ah sim era preciso para ele garantir o voto bolsonarista para sua candidatura ao senado.

Um sujeito com esse histórico criar uma fakenews sobre suspeita de assassinato pelo PCC seria difícil? É para falar sério? Então falemos! É para dar nome aos bois? Este rabisqueiro dá. Quem sabe dando nome aos bois o gado acorde! Se bem que acho difícil, ô sono alienante!!

domingo, 22 de janeiro de 2023

O golpe econômico-político...

Tenho ouvido que deveria criar um podcast para falar de política, economia, história e literatura. Olha só que chique, podcast! Mas que história é essa? Sou mero rabisqueiro metido a poeta com tesão por trovas, lirismo e musas. E também arremedo de cronista do cotidiano, com fetiche por história e ciências econômicas, sociais, filosóficas e políticas, neste caso o fetiche vem com perversão comunista…

Sim, cursei economia e trabalhei a vida toda no mercado financeiro. E ainda não me afastei dele. Comecei a trabalhar nele por sobrevivência e não larguei mais. Também fiz letras mas para uso próprio não tenho a pretensão de ser professor. Até porque mestre em português de verdade é um tal torcedor do Juventus, da Móoca, com quem eu tive a felicidade de ter aula. O então desconhecido Pasquale Cipro Neto.

A minha profissão foi escolhida pela necessidade. Entrei no Banco do Brasil antes do que em qualquer faculdade. A Fundação, ou afundação,  Gallucci precisava de um mantenedor. Cursar economia foi uma opção a partir do BB. Mas acabou sendo bom. Já para as letras fui porque me falaram, nas entrelinhas, que era o curso que tinha mais mulheres. Brincadeira, viram! Eu gosto de literatura! 

E foi um assunto econômico desta semana, que também deveria ser jurídico e policial, o motivo da sugestão do podcast. Ao explicá-lo recebi, de novo, a tal dica. Como não intenciono, no momento, ressalva geminiana, criar o tal de podcast, que poderia ser o poeta comunista, o economista lunático ou o filósofo de Cuba vou tratar do assunto aqui mesmo. Até em caráter de desabafo! Sendo assim, lá vem o hoje cronista econômico de botequim.

Nos bancos escolares me apresentaram economia como a ciência que administra recursos escassos para o bem comum. Só que na visão econômica de alguns, essa ciência é para “experts” que tem escrúpulos escassos o suficiente para administrarem os bens comuns de suas bilionárias fortunas. O “mercado” e a escola neoliberal parecem não se abalarem com essa prática do modo como se “descabelam” quando se fala em extrapolar o teto de gastos do governo para matar a fome do povo. E o mercado tem cabelo? Sei lá... se não tem cabelo, tem peruca e maquiagem!

Que serve para “maquiar” balanços contábeis de grandes corporações, que têm ações em bolsa de valores, “criando” lucros artificiais, onde há prejuízo, para justificar a distribuição de bônus, juros sobre capital próprio (remuneração do capital do próprio sócio) e gordos pró-labores aos seus maiores acionistas.

O mais triste é que ao ser descoberta a fraude a situação não se resolve e até piora, pois o valor das ações da tal megaempresa derrete.  Aí os pequenos acionistas veem seu modesto patrimônio virar pó. E o efeito dominó na economia e no mercado financeiro não para. A outra peça derrubada é o pequeno aplicador que, de perfil conservador pois é avesso a correr riscos, tem seu dinheirinho em fundos conservadores. Aqueles que têm em sua carteira de investimentos ações como as da mega e “sólida” empresa, aquela que dá lucro só no papel. Ah e no bolso de 2 ou 3 celebridades da Forbes, a “playboy” do neoliberalismo!

O dominó acabou? Infelizmente não. Além dos pequenos acionistas e micro aplicadores do mercado financeiro tem mais gente afetada. Para a megaempresa, que na verdade dá prejuízo, manter suas atividades operacionais ela precisa de recursos certo? Sim, e aí entraram os empréstimos bancários. Um terço da dívida da Americanas, ops da megaempresa, é CEF, BNDES, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e FINEP. Bom, concordata ou recuperação judicial deferida o mico cai no colo dos bancos públicos e da estatal de fomento de projetos com dinheiro público (FINEP) . Sim meu paciente leitor e cidadão brasileiro o prejuízo chegou em nós!

Política? Ah golpe militar não saiu porém o econômico sim! Mas como política e economia andam de braços dados, para o bem ou para o mal, ao “apagar das luzes”, precisamente dia 21.12.2022, o governo do genocida, aquele que compra vibrador no cartão corporativo, concedeu, via Caixa Econômica Federal, empréstimo de R$ 450 milhões à Americanas, do Brasil! Da Pátria, Deus e família, deles!

O filho da mãe!

O Palmeiras deu férias para minha televisão. Desde o hendeca ando meio afastado da telinha. Acompanhei a Copa do Mundo de soslaio. Apesar de que tive um ímpeto nacionalista, calma não cheguei a vestir a canarinho, quando o Pombo deu as caras. Até porque ele era um verdadeiro oásis de cidadania naquele time. Mas acho que cortaram as asas dele. Afinal ele vinha se destacando mais que as grandes e legítimas "lideranças" do time. O sonegador e o tocador de pandeiro, que nas horas vagas estupra jovem espanhola em banheiro público.

É verdade que a Argentina de Messi e sua torcida empolgaram e protagonizaram contra a França de Mbappé a melhor final de Copa do Mundo que já assisti. As alternativas, chances e reviravoltas no placar de fato tornaram o jogo em confronto histórico. O título acabou premiando toda a carreira de Lionel Messi, que comemorou sob as bênçãos de Dio Dieguito. O argentino petista e fã do Lula. Lá vem… mano do Céu o assunto é Palmeiras, televisão, Copa do Mundo ou política??

Nenhum deles. O tema é Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros! Se bem que por falar, de passagem, em TV, política e Argentina assisti “Argentina 1985” com o Darin, o papa do cinema portenho. O filme é espetacular. Meu sonho de consumo para o Brasil 2018-2022. Quem sabe? Uma ponte aérea Orlando-Bangu. Parei... por ora!!

Mas enfim, e mais importante, dia desses vi o documentário “Filho da mãe” que narra a trajetória do ator, diretor e roteirista Paulo Gustavo. A Dona Hermínia! Verdade, o Paulo é um filho da mãe! Com o talento da mãe, do pai, do filho e do Espírito Santo. Amém! Chorei de rir e chorei de chorar! Sim, algumas pessoas têm o talento de fazer isso com a gente!

Há uma matéria no curso de Letras chamada Linguística. Acho que cabe a definição aqui né? Pois nem todo mundo é louco a ponto de gostar de Letras! Aí vai… “linguística é a ciência que tem por objeto a linguagem humana em seus aspectos fonético, morfológico, sintático, semântico, social e psicológico”. Aprendi com um professor que na linguística o que conta é a perfeita comunicação entre o emissor e o receptor da mensagem, independente da forma como ela se processe.

O Paulo estabeleceu essa tal perfeita comunicação conosco, seus receptores de carteirinha. A sua “literatura” foi ao mesmo tempo simples e brilhante. Ele não foi militante mas assumiu, a partir da sua própria vida, corajosas posições políticas. Não foi filósofo nem sociólogo, mas a partir de um tema comum e cotidiano, a relação entre mãe e filho, fez uma profunda reflexão sobre as relações humanas. Com humor, inteligência e sensibilidade.

Além desses adjetivos, o documentário mostrou ainda um homem preocupado com as pessoas, solidário, carismático e generoso. O seu ar zombeteiro, também fora do palco, realmente era arrebatador. Pessoalmente me senti emocionado com algumas coincidências. Ele foi internado no mesmo dia que eu e tive alta dez dias antes da morte dele. Até recordei que quando eu regressava a este planeta, que mesmo eu grogue não me pareceu plano, pude acompanhar o final de sua luta pela vida.

Uma luta infeliz e injustamente perdida. Mas isso não invalida a sua batalha nem o legado que ele deixou. Fica a certeza que além do seu talento, brilho e generosidade, sua morte, como a de outras 700 mil pessoas vítimas da covid, não podem ficar impunes. Assim como a de índios, crianças e adultos, mortos de fome pela irresponsabilidade e perversidade do fujão, hóspede do ex-lutador e atual anfitrião de genocida, José Aldo da Silva. Anota aí Xandão!