Nessas férias decidimos fazer uma viagem, parte aérea e terrestre, com roteiro para destinos no bom e velho nordeste brasileiro. O trecho de avião foi de Sampa até Recife. Na terra de Kleber Mendonça Filho, o pai do Agente Secreto, aluguei um carro e subi até o extremo norte do Rio Grande do Norte, em São Miguel do Gostoso. Ida e volta, foram 1.400 quilômetros, de asfalto e terra, por três estados diferentes, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Várias vezes já tinha viajado, a trabalho pelo Banco do Brasil, de São Paulo para Brasília no chamado “voo do padeiro”. Esse voo partia de Congonhas às sete horas da manhã. O aeroporto paulistano pela sua localização tem horário de funcionamento das 6 às 23 horas. O vôo do padeiro era portanto um dos primeiros a decolar. Talvez o “voo do banqueiro”, além de ser de jatinho e não de avião de carreira, tenha horário mais aprazível, mas isso quem sabe dizer é o Nikolas Ferreira. Enfim…
Mesmo a passeio nunca tinha tido a experiência de frequentar um aeroporto no meio da madrugada. Semana passada, com voo marcado para às 5 horas da manhã tive essa oportunidade. Por precaução, pela distância de 25 km da Capital, acabamos chegando às 3 horas da madrugada no Aeroporto de Guarulhos. Lá deparei com um verdadeiro dormitório público. Sem sono pelo excesso de café aquele cenário despertou, ainda mais, a imaginação deste agora cronista aeroportuário.
Corpos vestidos com roupas de boas marcas aconchegavam-se, sonolentos, nos bancos do imenso saguão. Mochilas kipling eram usadas como travesseiros, onde se acomodavam cabeças com modernos fones de ouvidos, cabelos loiros e olhos azuis, assim revelados os que ainda estavam abertos. Fiquei pensando se a mesma cena numa dessas rodoviárias da vida teria o mesmo glamour e classe. Nem em seus melhores sonhos o intrépido Padre Júlio encontraria “dormintes” públicos com toda aquela elegância. Essas situações sempre me lembram aquela máxima "filho de rico correndo é atleta, de pobre é ladrão...
Nada contra as pessoas entregarem-se aos braços de Morfeu num lugar público. Afinal sono é sono, independente de classe social. Ainda mais se considerarmos a democratização das viagens aéreas realizadas, novamente, no governo Lula que, inclusive, facilita o acesso de mais gente a cochilos aeroportuários. Para o desespero de Paulo Guedes e da extrema direita em geral. Pronto, lá vem ele! A política e a economia invadiram o saguão do aeroporto! Agora ninguém mais dorme...
Mas meus caros e pacientes leitores, política e democracia são tão importantes quanto o ar que respiramos. E o Nordeste continua lindo, ensolarado e com bons e belos ares marítimos como sempre! Talvez isso favoreça as boas preferências eleitorais.
Da minha parte, como apaixonado paulistano, sim tem gosto e paixão para tudo, confesso que ando muito preocupado com as péssimas escolhas políticas, com raras e honrosas exceções, que os conservadores e reacionários ares do interior de São Paulo produzem para o meu estado! Ôxente!