sábado, 16 de setembro de 2023

O PÃO NOSSO DE CADA DIA...

Política pra matar fome de alimentos
arte para saciar sede de cultura
e das artes, amoral e pura
sem pudor ou mesura
a poesia se aventura

Pois imoral é barriga vazia
panela sem comida
vida sem esperanças
alma sem fantasia

E quanta hipocrisia
no dia a dia
discriminar por cor, sexo ou etnia
depois ir à Igreja
rezar o Pai nosso ou ave Maria

E assim por rebeldia,
loucura, razão ou filosofia
a arte subverte a ordem
com sua pauta política
apaixonada, irreverente e crítica…

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

A “pílula do veneno”, o mercado e o apagão

Nos meus últimos tempos de Banco do Brasil trabalhei na área de mercado de capitais e operações estruturadas. Estruturando o quê, cara pálida? Sim meus pacientes leitores, cabe aqui uma breve explanação sobre esse segmento, que diga-se de passagem é bastante interessante e, conceitualmente, fundamental para a economia. Assim lá vem o cronista financeiro de estruturas de botequim…

Os grandes bancos têm setores específicos para as áreas de mercado de capitais, de aquisições, fusões, leilões públicos e reestruturação de dívidas de grandes empresas. Em face dos valores expressivos é muito comum os bancos sindicalizarem essas operações entre eles visando a mitigação de riscos. Falei grego? E olhem que essa área é de puro anglicismo. Inclusive com poison pill, a tal pílula do veneno.

Mas trocando em miúdos, como diria o grande Chico, nesse nicho os bancos realizam, em consórcio, os empréstimos para megaempresas. Só para exemplificar é comum sentarem à mesa, BB, Bradesco, Itaú e Santander e a megacorporação a ser financiada para “estruturarem a operação” de crédito, que em alguns casos nem crédito bancário tem, só a colocação de papéis, tais como debêntures, para investidores no mercado de capitais.

Imaginem a mesa! Os estruturadores de 3 ou 4 grandes bancos, da megaempresa ou órgão público, os jurídicos de cada uma dessas Casas e um grande escritório de advocacia contratado para “mediar” a operação e produzir, a muitas mãos e cabeças, os documentos jurídicos e comerciais do negócio. Pelo BB, muitas vezes foram este aqui e o Zé Reinaldo, filho da SANFRAN, do Largo São Francisco, em Sampa. O Zé, fã do Cauby Peixoto, nem tudo é perfeito, seguramente é um dos caras mais eruditos, inteligentes e articulados que conheci na minha passagem pelo Banco do Brasil. Modéstia nossa à parte, nós dávamos um pouco de trabalho para o tal Mercado.

Mas é óbvio que pela magnitude do segmento e dos valores monetários envolvidos algumas vezes injunções políticas do governo da vez podem prostituir o negócio. Seguramente foi o caso da privatização da Eletrobrás, realizado no último semestre do governo bolsonaro. Por se tratar de privatização de estatal desse porte e dos "interesses" envolvidos, os bancos participantes foram meros “colocadores” do papel no mercado. Todo o desenho da operação passou pela prancheta do Guedes. Haja vista que um dos bancos líderes do deal de distribuição de papéis foi o BTG Pactual, fundado por Paulo Faria Limers Guedes.

Deixo para outra crônica minha visão sobre as privatizações. Quem me conhece já sabe qual é… Ixi.. um comunista infiltrado no mercado de capitais! Calma, meus leitores, repito, conceitualmente, o segmento de mercado de capitais é fundamental para a economia e desenvolvimento do País. Mas nunca para estruturar operações de entrega de patrimônio público para a iniciativa privada.

O caso da Eletrobrás então é uma aberração econômica, jurídica e policial! A gigante estatal prestadora de serviço essencial, energia elétrica, com a privatização passou a ser controlada pela 3G Capital e sua subsidiária 3G Radar, ambas do trio de bilionários da Americanas. Aqueles sim, do golpe, que o Mercado faz vistas grossas e “passa pano”. E cujas fortunas não são taxadas pelo Fisco. Os do topo da cadeia alimentar, os “super-ricos”, defendidos pelos singelos pobres de direita, os “perus de Natal”!

A cereja do bolo, ou da privataria, foi a estruturação da operação, pela patota do Guedes, com o mecanismo anti reestatização, ou também chamado de anti-Lula, a tal pílula do veneno! Assim com cobras e sem antítodos apagaram-se as luzes…

sábado, 5 de agosto de 2023

O figurino do casamento… na Loja!

Outro dia vi um post no instagram que aguçou minha imaginação, de grandeza inversamente proporcional ao meu juízo. A postagem trazia a lembrança de que o ex-juiz vaza jatista, ex-ministro, e, provisoriamente, senador, Sr. Marreco Moro foi padrinho de casamento da Sra. Zambelli Django, a ainda deputada federal.

Assim não dá, isso liga a usina! Daí não resisti a tentação de criar um roteiro mais adequado, digamos assim, para o referido casório. E o humor será, uma vez mais, a catarse para as desgraças que figuras tão execráveis trouxeram para o País nos últimos anos.

Cabe destacar que o senador no dia da cerimônia chamou a deputada de “guerreira”. Isso é fato. Só fico pensando se guerreira seria pelo seu desempenho como pistoleira pelas ruas de São Paulo. Ah… pistoleira pelo porte e uso de revólver! Aliás, em plena luz do dia, no meio da rua, apontado para alguém que a nobre deputada perseguia.

E por falar em senador e deputada que hercúlea tarefa a do Bruxo!! Governar com um congresso nacional dessa “qualidade”. Muitos votaram nele sem se preocuparem com a escória que elegiam para a câmara e senado. O Lula ganhou a eleição presidencial mas o inelegível venceu a eleição parlamentar. Pois Nero e Lira sempre se completaram, seja em Roma ou no orçamento secreto. Isso, diga-se de passagem, também explica o porquê do genocida não estar ainda na Papuda ou em Bangu!

De volta ao casamento, imagino que a cerimônia para ser mais simbólica deveria ter algumas outras personagens do mesmo "nível" do peão dos EUA e da peoa do bolsonarismo. Se bem que algumas dessas personagens lá estiveram, como a  namoradinha do gado, a atriz Regina Duarte, num papel que deixaria corado até o bom e velho Francisco Cuoco!

O fato de o enlace matrimonial ter reunido debaixo do mesmo teto, maçons, bolsonaristas, evangélicos e militares, já me dá uma certa liberdade poética, no caso de cronista nupcial, para criar ao meu bel prazer o roteiro das bodas. Espero que não dê bode!

Sendo assim, na minha cabeça a cerimônia seria celebrada, a quatro mãos, por Macedo e Malafaia. E por falar em dupla, os sertanejos Gusttavo e Leonardo seriam responsáveis pela trilha sonora. Mas como “panela velha é que faz comida boa” o Reis, não o Nando, é claro, também daria sua palinha. As gravações do evento ficariam a cargo dum amigo da noiva e do padrinho, o hacker de Araraquara.

A dama de honra e guardiã das alianças e das próteses, seria a Sra. Michelle. Se bem que a maciça presença de militares talvez exigisse dela a guarda de outros tipos de próteses além das oculares. Digamos assim mais “intimas”, adquiridas, com dinheiro público, junto com viagra e leite condensado. Bravo, doce e ereto exército brasileiro! A tropa do Cid!

Finalmente para coroar a celebração o “receptador” das oferendas seria o capitão cloroquina, o “chapa” e ex-vizinho do PM reformado Lessa, ausente da cerimônia por estar preso como principal suspeito de dois assassinatos. Crimes ainda sem mandantes conhecidos!? Mas… voltando ao capitão ele aceitaria os dízimos em joias árabes, rolex, ou via PIX! Vocês acham que é piada, né?

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Na estrada

Vou
fundo
reviro mundo
respiro profundo
sangue transfundo
mente e coração fecundos
apaixonados em segundos

Barro, mato e areia
mar azul, linda sereia
estrada, vila e aldeia
vida inteira, lua cheia 
o que não fica a alma permeia

Volto
embora
não demora
você me seduz e devora
E agora?

Reencontro
imensa arquitetura
miscigenada cultura
infinita aventura
razão da minha loucura
imperfeita e linda mistura...

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Falta de educação… e de inteligência

Uma das grandes marcas dos regimes de direita é o descaso com a educação, com a ciência, o pensamento e o conhecimento. Por isso a elite adora os destros pauperis! Executam o serviço sujo para eles sem pensar, literalmente. Sendo assim, qual seria a melhor fórmula para perpetuar modelos econômicos concentradores de renda? Sim, a falta de educação.

Esse modelo tão simples quanto cruel, a direita tupiniquim vem reproduzindo, de longa data, nas terras brasilis. Agora mais recentemente na falta de melhores nomes, a direita brasileira se valeu mesmo de uma quadrilha boçal e mequetrefe para instrumentalizar o seu “plano” de governo.

Em troca dos serviços prestados, a destros opulentus, direita rica e detentora dos meios de produção, fez e continua fazendo vistas grossas para rachadinhas, genocídios, milícias e até furto de jóias da quadrilha bolsonarista. E apesar dessa quadrilha ter sido retirada do poder em termos nacionais, no estado de São Paulo uma parte do bando encontrou refúgio. 

A elite trata educação como se vê agora na famigerada discussão do ensino médio. A destro opulentus defende um modelo de aprendizado servil e técnico, sem inteligência e pensamento crítico. Porque será? Formam-se gerações de graduados e pós-graduados defensores do modelo econômico neoliberal, sem noção e consciência de classes sociais.

A direita pensante e organizada dá, ainda, para essas gerações pseudo escolarizadas, como souvenir, coisas como o tal do chat GPT, porque afinal pensar cansa! E o que poderia ser um valioso instrumento auxiliar vira um produtor intelectual. Pois se a “inteligência” humana é preguiçosa e subdesenvolvida, a artificial, controlada pela elite, atende bem aos objetivos desta última.

Além da educação, ou da sua falta, outro pilar estratégico para a elite é o sucateamento do Estado. No caso de São Paulo, e o seu último front bolsonarista, observa-se estudos para a desestatização de serviços essenciais como os prestados pela SABESP e CPTM. Num país predominantemente pobre e carente, cogita-se transferir para as sedentas mãos de lucro do Mercado o básico, sim o saneamento básico.

Mas isso fica para outro rabisco, já é tarde ou cedo…

terça-feira, 9 de maio de 2023

RITEIRA… sem eira nem beira!

A porra-louca mais careta...
de língua de fora
em versos e prosa
que agora some e… demora
pois tudo é choque sem Rosa

Imagino a dor e alegria de Caetano
ao te traduzir em Sampa
poeta perdido na tua amada cidade
entre o acerto e o engano
teu verdadeiro sentido e identidade

Bailaste na fogueira do inferno
romântica, inquieta e intensa
mutante… de par eterno
de vários e sempre Robertos
que em nada e tudo pensa
pois sua alma, tão grande, compensa…

Eu sei lá o que falo
muito menos o que agora rabisco
só sei o que sinto
pois o que escrevi eu nem li
não arrisco…
saudade de você, Rita Lee!

domingo, 30 de abril de 2023

O genocida é POP!

Na qualidade de ex do BB, calma ex do Banco do Brasil, eu sei bem a relação fiel e secular que ele tem com o agricultor. E digo agricultor porque o BB já se relacionava com o agronegócios desde antes do agro ser POP. Aliás POP pra quem, cara pálida? Depois que a agricultura se industrializou, virou latifúndio, qualquer Bradesco, Itaú ou “coirmão” privado deles passou a botar o rico e estimado dinheirinho de banqueiro particular no negócio.

Quando o crédito rural era o de mais alta inadimplência da economia, causada principalmente pelos riscos que os antigos agricultores corriam, os banqueiros do “mercado” não tinham muito apetite pelo agro. Sujeito a chuvas e trovoadas, o segmento agrícola penava para pagar suas dívidas. Qualquer perda ou diminuição de safra era falta de recursos para pagar os empréstimos. A imprevisibilidade e falta de informações climáticas, ainda sem os recursos que temos hoje de previsões via satélite, além da ausência da moderna tecnologia, que agora há, deixavam o pobre do produtor ao Deus dará. E olha que Ele, de um jeito ou de outro, dá! Já o banqueiro privado…

Além disso, os baixos spreads, “lucrinho” do banqueiro, antigamente praticados no crédito rural não motivavam muito Setúbals, Aguiares, Moreiras Salles, Safras, Villelas e famílias a serem parceiros de crédito do agro. Pois a inadimplência elevada e, em especial, juros baixos nunca combinaram muito com o gosto do mercado bancário privado, né Campos Neto?

Mas para que todo esse intróito, ô cronista de botequim vizinho do banco? É… só para falar que a Agrishow, tradicional feira internacional de tecnologia agrícola, realizada anualmente no interior do estado de São Paulo, não terá esse ano o histórico e antigo patrocínio do Banco do Brasil. Em 2023, o evento, que movimenta muito dinheiro, com produtores rurais, agroindústrias, produtores de insumos, fertilizantes, pesticidas, fabricantes de máquinas do setor, não terá o Banco que cuida do setor desde o tempo das vacas magras, literalmente.

Entendam, meus pacientes leitores, que não se faz aqui apologia ao setor agrícola arcaico e superado. Não! O segmento, assim como todos os outros e a vida, enfim, precisa de alta tecnologia, ciência, robôs, máquinas e produção com ganho de escala, até para baratear o custo do alimento para a população. Só não combina com modernização, coisas como desmatamento, agressão ao meio ambiente, corrupção política, trabalho escravo, terras improdutivas, concentração de renda, fome e nem assassinatos de ambientalistas, indígenas ou de quem o POP não perdoa! Né, MST?

E essa banda podre do agronegócio, o POP, não gosta do tal de Lula, aquele senhor comunista que está na presidência da República. E em pleno exercício do mandato dele, legitimado pelas urnas, a Agrishow perdeu o patrocínio do BB. Pois o comando POP do agro, agora em 2023, preferiu “desconvidar” o Lula, o daquele planalto sem emas nem carpas, para poder convidar para o evento, prazerosamente e sem constrangimentos, o genocida, ladrão de jóias, de pobre, de trabalhador, de orçamento público, entre outros crimes. Questão de identificação, presumo eu.