quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Reclusão e renascimento

Recorte de vida
reclusão necessária
se essa chance é perdida
a fala é estéril e ordinária 

Silêncio respeitoso
respeito silencioso
a dor que é tua
se perde se vai pra rua 

A reflexão exige interior
que cale vozes indevidas
e ensine na própria dor
a lição das partidas!

terça-feira, 21 de julho de 2020

O petróleo e o tio Sam

O que há em comum nas intervenções bélicas no Oriente Médio, em especial Irã, Iraque, Líbia e Kwait, e na aplicação de sanções econômicas, boicotes, espionagens, além de patrocínio da tentativa de golpe na Venezuela? Sim, meus pacientes leitores, as presenças dos EUA e do petróleo, o ouro negro ou será verde musgo?

Até aí a história já conta, de forma clara e desmascarada, a ação e intenção do império yankee em suas excursões além fronteiras, até mesmo a da estorinha mal contada de armas químicas como pretexto para avançar em cima de Saddam, do Iraque e... do seu petróleo, no caso do Iraque! 

Talvez por falta de juízo ou por sobra de tempo, aliás quando acaba essa quarentena?, vou me aventurar numa explanação baseada na cronologia de fatos de ordem sócio-político-econômica ocorrida nas terras brasilis a partir de junho de 2013.

Se a trama norte americana nos casos bolivariano e do médio oriente foram mais explícitas, quero conjecturar sobre outra, a brasileira, mais novelesca, bem ao gosto dos nativos daqui e da “brasileiríssima” Vênus platinada.

Para falarmos sobre 2013 teremos que voltar até 2007. Era segundo mandato do governo Lula, do PT, sim a culpa é do PT!, e o Brasil comemorava a descoberta do pré-sal, grande jazida de petróleo localizada abaixo do leito do mar. Olha o petróleo aí gente!

Depois de 2007 e antes de 2013, tivemos 2012! Até aí estamos consensados. Documentos da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), vazados pelo ex-analista da agência Edward Snowden ao jornalista Julian Assange, do Wikileaks, indicavam que, ao longo de 2012, o governo Dilma e a Petrobrás teriam sido espionados pelos americanos. 

Voltando à 2013, em junho iniciaram-se, de forma difusa, protestos batizados como “Passe Livre”, contrários ao aumento de R$ 0,20 das passagens de transportes públicos. A partir de janeiro de 2014 esses movimentos passaram a ser capitalizados, nos sentidos figurado e literal, pelo MBL-Movimento Brasil Livre. Recentemente esse passou a ser investigado por lavagem de dinheiro, não sei se real ou dólar...

Na esteira desses movimentos foi deflagrada, ainda em 2014, a operação Lava Jato, estrelada por Sergio Moro, aliás uma verdadeira estrela global. A “Mãos Limpas” brasiliana tinha o estranho cacoete de só investigar corrupção de políticos do PT. Mas claro, a culpa é do PT! Agora em 2020 revelou-se novo personagem da novela, o DOJ – Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Olha eles aí gente!

Para abreviar esta já longa crônica só quero recordar o golpe que, em 2016, derrubou a presidenta Dilma, tão honesta quanto minha vó Genoveva, e o julgamento sem provas que condenou à prisão, em 2017, o maior líder político de esquerda do País e provável vencedor das eleições presidenciais de 2018.

Daquelas eleições emergiu a tosca e iletrada “criatura”, que hoje nem seus criadores conseguem controlar, o sujeito antipobre, antipreto, antipovo, mas que adora o Tio Sam e o corona vírus. 

A conclusão, ah a conclusão é de vocês, afinal, sou cronista de botequim não novelista...

sexta-feira, 24 de abril de 2020

O pôr do sol vermelho...

Pôr do sol de arco-íris capital
céu azul, vermelho e laranja sazonal
homem isolado pra se curar
natureza nas ruas pra dar seu ar

Expectador o homem sente
inerte, o resultado de sua ação
se ser humano não é urgente
desumana será a destruição

Não se guarda a vida com economia
se o céu esbanja beleza
o ouro reluz e tem valia
se repartida no pão essa riqueza

Afinal o homem só tem remédio
se o benefício for bem comum
e o pôr do sol não se privatiza
pois se não for pra todos não é pra nenhum!

quarta-feira, 25 de março de 2020

O Retiro, os arrependidos e o retirado

Dia desses, num artigo da ÉPOCA/GLOBO intitulado “Jair Bacamarte precisa se recolher ou ser recolhido a um sanatório”, o articulista traçou interessante paralelo entre o caso do presidente da república brasilis, sr. Bozo Bacamarte, e o personagem fictício, o médico Simão Bacamarte, da obra “O Alienista” do genial Machado de Assis.

Só a título de recordação, Simão Bacamarte, na obra de Machado, recolheu a seu asilo de loucos, a Casa Verde, quatro quintos da população da cidade de Itaguaí. Como ninguém tinha uma personalidade perfeita, exceto ele próprio, o alienista conclui ser o único anormal e decidiu se trancar sozinho na Casa Verde para o resto de sua vida. Quem sabe, Amém!

Analogias e desejos à parte, a grande mídia é bem vinda ao barco chamado “nós avisamos”. Proliferam, agora, editoriais, artigos e posicionamentos anti bozo na grande imprensa. Chegam até a suspeitar que o mito é um golpista incompetente e lunático. Olhem só, que perspicácia!

Só de se estranhar que nos primeiros quinze meses do governo Bozo, até aqui portanto, enquanto se confiscavam direitos dos trabalhadores, aposentados e outros cidadãos do andar de baixo, perseguiam-se e, em alguns casos, até assassinavam-se, negros pobres, gays, feministas, comunistas e “esquerdopatas” em geral ouviu-se um ensurdecedor silêncio por parte dessa mesma mídia. Para não se falar numa ostensiva aprovação.

Mas parece que o terrível Coronavírus é democrático, não olha nem credo, nem classe social. Além disso, a peste é reveladora. A tal ponto de mostrar para a direita e seus porta vozes que escolheram o fantoche errado para representá-los, ou melhor, para distrair o povo enquanto a elite ia concentrando seu rico e saudável dinheirinho.

Agora que a bolsa de valores, o dólar e outros fetiches do deus mercado sentiram, na pele e no bolso, o destempero do nosso Bacamarte ficamos todos do mesmo lado, o do fora Bozo!
Para a saúde e o bem de toda Nação. Perfeito! Se não se deixar de entender que se trata de aliança de ocasião.

Lá na frente, quando as eleições e a verdade chegarem, a direita e seus porta vozes virão com seus novos Alckmins, Serras e Aécio, os Hucks, Moros, Dorias e congêneres, na esperança de que esses façam o “trabalho” com mais discrição e competência. Já a esquerda e o povo, espera-se de olhos abertos, irá com o Bruxo. Afinal, o garanhuense vai chegar até os 120 anos!

quarta-feira, 18 de março de 2020

A Pandemia, o pandemônio e seus panacas

Dia 15 de março 2020. Domingo. Aniversário da Carolina Giulia Iponema Gallucci. Isso para este errante escriba já bastaria. Mas por ela, pelo irmão dela, por todos os filhos, mães, pais, parentes, amigos, conhecidos e desconhecidos do mundo era um domingo diferente. De retiro. De introspeção e reflexões. Menos para “quatro dúzias e meia” de patriotas cidadãos de bem brasileiros. Defensores do AI5 foram às ruas regidos pelo Capitão Corona e seus vírus ambulantes.

Só para recordar o Ato Institucional número 5 foi assinado em 13 de dezembro de 1968, no auge da ditadura militar brasileira. Entre outras coisas permitia ao presidente da república a retirada de mandatos parlamentares, intervenções em estados e munícipios e suspensão de quaisquer garantias constitucionais, inclusive a de manifestações públicas como aquela daquele domingo.

Os intrépidos manifestantes de 15 de março vociferavam contra o Congresso Nacional, contra o Supremo Tribunal, contra o Comunismo, contra o Feminismo, contra a China, contra Cuba, contra a Venezuela, contra o PT, este não pode faltar!, e apenas e tão somente a favor do Mito e de seu miliciano Estado mínimo. O que em economia chama-se neoliberalismo cinco entre quatro daqueles “manifesteiros” nem têm ideia do que realmente significa e representa.

Infelizmente, a covid 19 veio, didaticamente, esclarecer o quanto o tal estado mínimo, no caso leia-se sem SUS, é um tiro no pé, ou um vírus no corpo, do cidadão comum, de todo um povo que precisa de atendimento médico rápido, simultâneo e ao alcance de todos ($$).

Veio, ainda, mostrar, de forma perversa, que a tal da festejada inciativa privada faz vistas grossas ao interesse coletivo. E que as bolsas de valores, filhas diletas do deus mercado, ficam de mau humor por se preocuparem mais com o dinheiro do capitalista do que com a vida do cidadão comum.

Mas talvez, quem sabe um dia, numa dessas Cubas comunista da vida (e não da morte!), um mais médico perdido ou um desses cientistas barbudos descubram a vacina contra o vírus corona, quem sabe até... contra a estupidez crônica!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Ariano, as empregadas domésticas, o Agiota-Mor, seus capatazes e a “meca” dos cidadãos de bem



O escritor e poeta, Ariano Suassuna, em uma de suas palestras, conta, ao seu modo, simples, genial e delicioso, a história dum jantar a que foi convidado em razão de sua premiação para a Academia Brasileira de Letras. A certa altura, diz o poeta paraibano, a dona da casa pergunta a ele se já havia ido a Disney.

Para surpresa da anfitriã, respondeu Ariano que não tinha ido a Disneylândia, sim pois Disney é para os íntimos! Narra, ainda, que sentiu entre os presentes a nítida sensação de que os imortais tinham escolhido o mortal errado para a ABL. “Aquela senhora parecia dividir a humanidade entre os que conhecem e os que não conhecem a Disney” falou Suassuna, de forma reflexiva e divertida.

Recentemente, o CEO, presidente para os simples mortais, de um grande banco privado do País disse que espera que o coronavírus não afete a economia. Parece que o Sr. Fulano di Tau espera que o tal vírus não atrapalhe os lucros do seu negócio. Aliás naquela casa bancária até se a(o) sujeita(o) não for branca(o) e cidadã(ão) de bem terá problemas para “sacar” seu próprio dinheirinho.

E por falar em banqueiro e mercado, seu representante no governo, cunhou “dólar alto é bom pois empregada doméstica estava indo para Disney, uma festa danada”. Para justificar de forma acrobática a pretensa vantagem da sobrevalorização da moeda norte americana, a da terra da Disney!

Mas afinal qual a correlação entre o pensamento dos anfitriões de Ariano Suassuna, a preocupação do banqueiro e a tese preconceituosa e estapafúrdia do ministro da economia de turno? Simples a economia! Mais propriamente a linha ora adotada, o neoliberalismo. Na qual o desenvolvimento serve para o rico ficar mais rico e o pobre mais pobre. Sem direito à Disney, é claro!!

Enquanto isso por aqui o bobo da corte e a corte de bobos, distraem a nação tupiniquim, enquanto a elite local, guardada por seus milicianos de plantão, acumula seus tesouros e seus castelos. E aí a classe média, que colocou o pais nessa encruzilhada, diz que a saída para o Brasil é o aeroporto. Visão de quem acha que o sonho além fronteiras não é para qualquer um. Enfim salve se quem puder, é o lema deles!

Mas pela escalada da moeda americana creio que nem a classe remediada conseguirá visitar o Pateta, pelo menos o de lá...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O Natal da porta da frente...



O porteiro de plantão da nação brasilis disse certa vez, durante um lauto café da manhã com a imprensa que cobre a "portaria da frente", que falar em fome por essas paragens é uma grande mentira. "Quando muito alguns comem mal" acrescentou o "estadista" das milícias e dos cidadãos de bem.

Mais uma vez mostrando sua fluência e domínio em diversos assuntos, o porteiro bozo, diagnosticou que o problema dos miseráveis é que não sabem se alimentar. Ora veja que absurdo isso em tempos que não faltam informações sobre alimentação saudável e qualidade de vida!

Sim, pois para quem monta belas árvores de Natal e fartas ceias em nome de Jesus, o menino pobre, e joga água fria nos indigentes amontoados nas calçadas, comer mal deve ser mesmo coisa de não quem sabe se alimentar direito. Aliás também de gente que não quer trabalhar pois emprego não falta!

Provavelmente no Natal essa ignorância alimentar da gentalha, talvez vermelha e petralha, uma vez mais se manifeste, na escolha de lombos, pernis e de outras carnes, que o ilustrado porteiro e seus auxiliares de portaria conseguiram tornar mais valiosa que ouro. Ah esse preço da carne vermelha, claro coisa de comunista!

E quem acha que não está bom creio que se fizer arminha melhore. Afinal a portaria da frente faz sua parte, acoberta e endossa atos terroristas contra os seus desafetos bem humorados e extermina os vermelhos, de modo Franco e direto, confome revela um outro porteiro menos cotado.

E assim diante desse espetáculo de mediocridade, burrice, truculência, canalhice e hipocrisia, o Cristo deve se sentir desconfortável no presépio da casa do cidadão de bem e deve, creio eu, preferir sair pela porta dos fundos.