quarta-feira, 18 de março de 2020

A Pandemia, o pandemônio e seus panacas

Dia 15 de março 2020. Domingo. Aniversário da Carolina Giulia Iponema Gallucci. Isso para este errante escriba já bastaria. Mas por ela, pelo irmão dela, por todos os filhos, mães, pais, parentes, amigos, conhecidos e desconhecidos do mundo era um domingo diferente. De retiro. De introspeção e reflexões. Menos para “quatro dúzias e meia” de patriotas cidadãos de bem brasileiros. Defensores do AI5 foram às ruas regidos pelo Capitão Corona e seus vírus ambulantes.

Só para recordar o Ato Institucional número 5 foi assinado em 13 de dezembro de 1968, no auge da ditadura militar brasileira. Entre outras coisas permitia ao presidente da república a retirada de mandatos parlamentares, intervenções em estados e munícipios e suspensão de quaisquer garantias constitucionais, inclusive a de manifestações públicas como aquela daquele domingo.

Os intrépidos manifestantes de 15 de março vociferavam contra o Congresso Nacional, contra o Supremo Tribunal, contra o Comunismo, contra o Feminismo, contra a China, contra Cuba, contra a Venezuela, contra o PT, este não pode faltar!, e apenas e tão somente a favor do Mito e de seu miliciano Estado mínimo. O que em economia chama-se neoliberalismo cinco entre quatro daqueles “manifesteiros” nem têm ideia do que realmente significa e representa.

Infelizmente, a covid 19 veio, didaticamente, esclarecer o quanto o tal estado mínimo, no caso leia-se sem SUS, é um tiro no pé, ou um vírus no corpo, do cidadão comum, de todo um povo que precisa de atendimento médico rápido, simultâneo e ao alcance de todos ($$).

Veio, ainda, mostrar, de forma perversa, que a tal da festejada inciativa privada faz vistas grossas ao interesse coletivo. E que as bolsas de valores, filhas diletas do deus mercado, ficam de mau humor por se preocuparem mais com o dinheiro do capitalista do que com a vida do cidadão comum.

Mas talvez, quem sabe um dia, numa dessas Cubas comunista da vida (e não da morte!), um mais médico perdido ou um desses cientistas barbudos descubram a vacina contra o vírus corona, quem sabe até... contra a estupidez crônica!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Ariano, as empregadas domésticas, o Agiota-Mor, seus capatazes e a “meca” dos cidadãos de bem



O escritor e poeta, Ariano Suassuna, em uma de suas palestras, conta, ao seu modo, simples, genial e delicioso, a história dum jantar a que foi convidado em razão de sua premiação para a Academia Brasileira de Letras. A certa altura, diz o poeta paraibano, a dona da casa pergunta a ele se já havia ido a Disney.

Para surpresa da anfitriã, respondeu Ariano que não tinha ido a Disneylândia, sim pois Disney é para os íntimos! Narra, ainda, que sentiu entre os presentes a nítida sensação de que os imortais tinham escolhido o mortal errado para a ABL. “Aquela senhora parecia dividir a humanidade entre os que conhecem e os que não conhecem a Disney” falou Suassuna, de forma reflexiva e divertida.

Recentemente, o CEO, presidente para os simples mortais, de um grande banco privado do País disse que espera que o coronavírus não afete a economia. Parece que o Sr. Fulano di Tau espera que o tal vírus não atrapalhe os lucros do seu negócio. Aliás naquela casa bancária até se a(o) sujeita(o) não for branca(o) e cidadã(ão) de bem terá problemas para “sacar” seu próprio dinheirinho.

E por falar em banqueiro e mercado, seu representante no governo, cunhou “dólar alto é bom pois empregada doméstica estava indo para Disney, uma festa danada”. Para justificar de forma acrobática a pretensa vantagem da sobrevalorização da moeda norte americana, a da terra da Disney!

Mas afinal qual a correlação entre o pensamento dos anfitriões de Ariano Suassuna, a preocupação do banqueiro e a tese preconceituosa e estapafúrdia do ministro da economia de turno? Simples a economia! Mais propriamente a linha ora adotada, o neoliberalismo. Na qual o desenvolvimento serve para o rico ficar mais rico e o pobre mais pobre. Sem direito à Disney, é claro!!

Enquanto isso por aqui o bobo da corte e a corte de bobos, distraem a nação tupiniquim, enquanto a elite local, guardada por seus milicianos de plantão, acumula seus tesouros e seus castelos. E aí a classe média, que colocou o pais nessa encruzilhada, diz que a saída para o Brasil é o aeroporto. Visão de quem acha que o sonho além fronteiras não é para qualquer um. Enfim salve se quem puder, é o lema deles!

Mas pela escalada da moeda americana creio que nem a classe remediada conseguirá visitar o Pateta, pelo menos o de lá...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O Natal da porta da frente...



O porteiro de plantão da nação brasilis disse certa vez, durante um lauto café da manhã com a imprensa que cobre a "portaria da frente", que falar em fome por essas paragens é uma grande mentira. "Quando muito alguns comem mal" acrescentou o "estadista" das milícias e dos cidadãos de bem.

Mais uma vez mostrando sua fluência e domínio em diversos assuntos, o porteiro bozo, diagnosticou que o problema dos miseráveis é que não sabem se alimentar. Ora veja que absurdo isso em tempos que não faltam informações sobre alimentação saudável e qualidade de vida!

Sim, pois para quem monta belas árvores de Natal e fartas ceias em nome de Jesus, o menino pobre, e joga água fria nos indigentes amontoados nas calçadas, comer mal deve ser mesmo coisa de não quem sabe se alimentar direito. Aliás também de gente que não quer trabalhar pois emprego não falta!

Provavelmente no Natal essa ignorância alimentar da gentalha, talvez vermelha e petralha, uma vez mais se manifeste, na escolha de lombos, pernis e de outras carnes, que o ilustrado porteiro e seus auxiliares de portaria conseguiram tornar mais valiosa que ouro. Ah esse preço da carne vermelha, claro coisa de comunista!

E quem acha que não está bom creio que se fizer arminha melhore. Afinal a portaria da frente faz sua parte, acoberta e endossa atos terroristas contra os seus desafetos bem humorados e extermina os vermelhos, de modo Franco e direto, confome revela um outro porteiro menos cotado.

E assim diante desse espetáculo de mediocridade, burrice, truculência, canalhice e hipocrisia, o Cristo deve se sentir desconfortável no presépio da casa do cidadão de bem e deve, creio eu, preferir sair pela porta dos fundos.

O BB e o BB, desculpem, mas o BB. A crônica privê…

Depois de mais de 30 anos estou saindo do BB. Nenhuma relação da minha vida foi tão longa. Eu o deixo, porque quero e por ter chegado a hora, mas o amo. O BB foi para mim sinônimo de luta e superação. A história da minha vida, da qual me orgulho, quem me conhece sabe. E a opinião e a amizade de centenas de companheiros que fiz dentro do banco e no sindicato são as que me valem.

O BB que eu sou apaixonado não é esse de Rubem Novaes e do seu medíocre e entreguista chefe, que menosprezam e desvalorizam seus funcionários e seu povo, respectivamente. Nem o de chefetes que tratam gestão de pessoas como mecanismo de seu próprio carreirismo.

Saio de cabeça erguida pois nunca me curvei aos desmandos desses dejetos corporativos, isso sem deixar de ser dedicado, comprometido e eficaz. Mesmo não abrindo mão de meus princípios consegui, de alguma forma, ser reconhecido e progredir dentro da estrutura de cargos da empresa. Ao gerenciar pessoas aprendi mais com elas do que nas graduações e pós-graduações que cursei.

Petista assumido nunca fui menos profissional por isso, pelo contrário. Em nada me beneficiei por sê-lo nos governos do PT. Da mesma forma que as minhas atividades sindicais, greves, crenças e convicções não me impediram de chegar até aqui, mesmo tendo enfrentado pressões em governos, digamos assim, neoliberais (Sarney, Collor/Itamar, os de FHC e Temer). No atual, sem comentários...

Mas excrecências passam e o BB fica. E eu, agora, passarinho. O BB que eu amo é o das escolas desenvolvimenta e Keynesiana não o das monetarista e neoliberal. É o BB fomentador do crédito agrícola para os pequenos agricultores, para quem o banqueiro privado não tem muito “apetite” para emprestar seu estimado dinheirinho. O Banco que apoia o desenvolvimento do micro, pequeno e médio empresário e o seu efeito gerador de emprego.

O BB que dá suporte para os investimentos das grandes empresas nacionais em infraestrutura e produção, seja via crédito bancário ou mercado de capitais. O Banco que eu amo tem papel e função social no desenvolvimento econômico do País com distribuição de renda, como fizeram Lula e os governos do PT. Enfim eu amo o nosso BB não o BB deles!

O BB que eu amo é o que fez D. Eudette chorar de emoção ao saber que seu moleque, que aos 13 anos (sempre o 13!) já tinha trocado a rua pelo batente, havia passado no seu concurso. Nunca minha mãe foi tão minha! O BB que eu amo me deu condições para, entre outras coisas, dar um final de vida digno pra ela. Fica em paz mãe!

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Os mundos real e virtual e o gozo latente

Curto o mundo virtual. Se tivesse tempo até passaria o dia rabiscando por essas paragens aparentes. Ou pelo menos toda a madrugada, como é o caso agora. Só acho, porém, que ele, o universo latente, não basta em si mesmo. Haja vista que não resolve as mazelas da vida real nem esgota os prazeres da mulher e do homem, seja qual for o gosto e preferências.

Desde amizades até sexo virtual, a rede embala desabafos familiares e frustações amorosas,  generosidades ou maledicências de todas as naturezas, exibe feiuras coladas e descoladas belezas. Receita remédios para toda doença e doente, viraliza operações de apêndice e até tratamento de dente.

Mas vamos lá, se o mundo virtual bastasse, qualquer incompetente, medíocre e mal eleito presidente governaria um país por twitter, qualquer Carlixo da vida seria um imortal da Academia Brasileira de Letras e qualquer fazedor de hambúrguer do papai viraria embaixador, via internet. Ah que saudade do concreto chão de fábrica do Inácio, dos livros do Machado e da diplomacia do Moraes! Flip neles!

E por falar em campo político,  canhoto de coração constato que parte da esquerda, nossa cota do gado, glamouriza mais as más escritas bravatas pueris de militante virtual do que o trabalho de socióloga nordestina no mundo real. Claro que toda consciência é bem-vinda, útil e necessária, mas o partido dos Trabalhadores e sua maior estrela foram paridos e cresceram na luta sindical, nas empresas,  nas ruas e nas terras, nestas justamente por quem está sem elas. 

Por isso, rodado combatente ainda acho mais prazeroso sexo na cama, no chão,  na praia ou na grama do que na rede, a menos que essa seja a de balanço, e mais resolutiva e eficaz revolução na rua e no campo, ainda que, neste caso, à beira da piscina da casagrande seja mais divertido. 

sábado, 19 de outubro de 2019

Vilões e mocinhos

Em tempos que, na terra brasilis, o bom mocismo hipócrita elege bandido chinfrim é impossível não se render aos vilões de boa cepa. O revide do gênio do “mal” a uma sociedade doente é implacável e avassalador. O "fictício" Coringa, encarnado de forma magistral por Phoenix, é um soco no estomago ou um tiro no meio da fuça de quem acredita que ignorar os diferentes, oprimidos e desvalidos é a melhor estratégia de manter trancafiada a caixa de pandora.

“É melhor ser ateu do que católico hipócrita“ quando o maior líder religioso do planeta assim declara é fácil se ter uma ideia a que ponto chegamos. É claro que esse Francisco de Deus é “fora da curva”. Ah dona Genoveva se eu soubesse que haveria um papa porreta desse eu teria ouvido com a senhora a missa das 18 horas do Padre Donizete. Até compartilharia o copo d’água de cima do rádio de válvulas após a celebração.

Mas, voltando para o caso tupiniquim, o mais preocupante é a pobreza de espírito e a desinteligência dos eleitos por esses cidadãos para os governarem e a nós também, por tabela. É assustadora a mediocridade desses líderes. Por isso, ganha mais relevância as declarações duma liderança esclarecida e lúcida, como a do papa Francisco.

E toda essa “tosquice” de líder e liderados é habilmente manipulada por uma elite que se vale do bobo da corte e da corte de bobos para manter bem guardados seus castelos e tesouros. Protegida por milicianos, a quem permite roubos e desmandos, essa casta se mantém invisível como a mão do mercado que “regula” a economia.

Etimologicamente, a palavra “vilão” refere-se ao habitante de uma vila, não pertencente a nobreza feudal. Do latim “villanus”. Um camponês, um não nobre. Talvez isso explique um pouco do fascínio provocado pela genialidade e humanidade do Coringa.

sábado, 5 de outubro de 2019

O Tempo e a Natureza

Tempo... um deus tão bonito
fugaz e infinito
compositor de destinos

regente de todos os hinos

Senhor com cara de menino
amoral e sem preconceito
passa desordeiro e traquino
repassa sutil e insuspeito

Sábio e criativo arranjador
espreita a vida e sua natureza
faz até, quem diria, a dor
ter sua razão e beleza

Desvanece o que não tem valor
muda gostos e desgostos
altera o perfume e o sabor
mas nunca mata ou sufoca
o que de verdade é amor!