Escrever textos para você?!
Não sei não... Será que devo?
Creio que tal coisa se afigure como um grande desafio.
Seria apropriado aceitá-lo?
Haveria interesse e predisposição recíproca em topar tal empreitada?
Inspiração, motivo e prazer não faltariam, mas e juízo?
Além de oportunidade, existiria conveniência?
Excitante seria, mas e sensato?
Essa aventura literária nos conduziria a um lugar seguro? E a nós interessaria essa tal segurança?
Gosto de trabalhar as palavras, garimpar as frases e esconder nos textos o que há de mais explícito em mim. Seria o caso?
Palavras e frases num sútil e criativo arranjo produziriam, nesta situação, a delicada carícia invisível a que se propõem?
Quando escrevo é um orgasmo. Caberia tê-lo?
Poderia eu transgredir, ousar, subverter, abusar e mexer no fundo do mais profundo? Ainda que com carinho e paixão?
Sou bem imperfeito e cometo erros. O texto me redime. Faria sentido a redenção?
E se acaso cometesse algum deslize, quem sabe até um desatino! Se por descuido enveredasse por caminhos proibidos; não por mim mas por você. Quem sabe inoportuno fosse resvalando, ainda que sem intenção, por metáfora ou analogia, em algum tema que trouxesse desconfortos, arrepios ou o que é pior indiferença.
Enfim... também posso escrever muito sem dizer nada ou dizer tudo sem nada parecer ter dito.
LA VITA SCRITTA IN VERSI E IN PROSA! Blog criado em abril de 2012.
terça-feira, 8 de maio de 2012
UM DIAS DESSES DE INVERNO...
O intenso frio da manhã mais do que o colorido das roupas estampa um sentimento diferente no rosto das pessoas. Esses seres, que se encolhem frágeis e vulneráveis diante da força natureza, parecem buscar em seus semelhantes, mais do que o calor que lhes aqueça os corpos, o quente aconchego d’alma que lhes cessem as carências e inquietações.
O dia cinzento que escancara algumas mazelas sociais, tais como a de indigentes a mercê do rigor da estação, é o mesmo que revela a indiscreta elegância que os mais afortunados e suas grifes da moda ostentam.
Algo me chama atenção naquele vagão lotado do Metrô, quando ele pára em uma das estações. Um jovem casal abre caminho entre as pessoas, a moça, miúda e com rosto de menina, se acomoda num banco do trem trazendo no colo um bebê, que envolto em roupas gastas é aquecido pelo aconchego da mãe e pelo olhar contemplativo e protetor do pai, rapaz franzino que naquele momento parece encontrar naquele pequeno ser que seus olhos miram a razão de sua existência.
A manhã segue e à medida que avança o frio diminui, cedendo lugar para o colorido do sol. E aí vem à tarde morena suave como um bálsamo que remove as asperezas, assim como que permitindo a redescoberta de um prazer esquecido. E eu, de novo atento ao que me cerca, contemplo a beleza da moça que passa sensual e radiante. Ela me sorri e eu devolvo a atenção como que se estabelecêssemos um silencioso pacto de fé.
E aí percebo que o índice “Dow Jones” não serve para medir meu prazer, nem mesmo o Ibovespa se presta pra isso. Que o frenético vai-vem das bolsas de valores, está totalmente alheio aos incertos e errantes movimentos dos habitantes deste planeta. E que a economia, a que fui apresentado, nos bancos escolares, como sendo a ciência que a administra a escassez de recursos com o objetivo de melhorar as condições de vida das pessoas, parece não dar conta dessa sua missão.
Mas agora é tarde, ou melhor, já é noite, e a noite sedutora, com sua magia e encanto, me convida a sonhar...
VALOR
O sol que transpassa a janela
Tinge minha mesa de amarela
Traz a calma que preciso
A alegria de um sorriso
Busca-se a felicidade só na fortuna
Crê-se piamente que tudo as una
Como se mais nada existisse
Como se tudo mais fosse tolice
Como se dinheiro comprasse
E apenas em razão dele estampasse
Na face de uma inocente criança
O sorriso de amor e de esperança
LOUCURA
Amor com intensidade
O devaneio que se quer
Poetizando a realidade
Nos braços de uma mulher
Uma mulher simples e especial
Não qualquer nem comum
Que acredite que o ideal
É pra dois e pra cada um
Que dê e queira espaço
Que seja divertida e inteligente
tão lúcida, que sagaz e sutilmente
guarde loucura em seu regaço
Que dê e queira espaço
Que seja divertida e inteligente
tão lúcida, que sagaz e sutilmente
guarde loucura em seu regaço
Afinal sem prazer, sonhos e alegria
vividos em boa companhia
o que resta é só fardo
de um entedioso resguardo
vividos em boa companhia
o que resta é só fardo
de um entedioso resguardo
TRANSPARÊNCIA
Claros e brilhantes
Raros como diamantes
Ora verdes ora azuis
Lindos olhos que possuis
Deixam a luz transpassar
E devolvem a beleza do mar
Despertam a fantasia
Inspiram o verso e a poesia
São pueris e delicados
Porém firmes e determinados
Mostram você por inteira
Tal como és, sincera e verdadeira...
NAS NUVENS
Dias desses conheci uma piloto. Ou seria pilota? Encafifado com a questão recorri aos gramáticos. O professor Napoleão Mendes de Almeida não titubeou: sentenciou que é correto o emprego da expressão “pilota” como a forma feminina de piloto. Concordo, mestre!! Afinal se manejar com destreza volantes, guidões ou manches não é só pra marmanjos, tratemo-las como pilotas.
Ela resvalou em mim e eu perdi o prumo. Pois o rumo já tinha perdido havia muito tempo. A impressão que ficou era a de que eu já a conhecia. Quem sabe duma sala de aula de alguma pós-graduação da vida, da barraquinha de churros duma praça de Bauru ou quiçá dum voo de alguma dessas companhias aéreas tupiniquins.
Minha trajetória até aquele dia já fora sinuosa. Talvez a dela também tivesse sido. Porém, mais rodado, com certeza, já havia enfrentado mais turbulência, refeito mais de uma vez minha rota, realizado decolagens, pousos forçados e arremetidas. Pela vida. Essa nave que já viajei no comando, de passageiro, de carona, de clandestino e até no bagageiro. Contornos, curvas, retas e atalhos que me colocaram naquele exato instante diante daquela figura das arábias.
O que me chamou atenção foi o uniforme que usava. Devia ser uma combinação da indumentária da Barbie com a da Penélope Charmosa. Tudo salpicado de brilho, purpurina e com sapatos dourados. E a franjinha então, a mais geométrica que já conhecera. De topete e topetuda, passo firme, rebocava sua mala, que com certeza guardava souvenirs, bonecas, lápis de cor, caderninhos com flor e quem sabe até o travesseiro da Nasa.
Bonita, sagaz, sensível e... geniosa. Digna de um poema e de uma prosa. Romântica e sonhadora capaz de riscar no céu o desenho de um coração. Mas que quando atacada seria capaz de num rasante descarregar todo arsenal de um avião de caça. Se bem que ela, vaidosa, não dispensaria um vôo num zeppelin dourado, desde que esse tivesse um retrovisor que a permitisse checar se o seu rímel da sobrancelha esquerda estava alinhado com o da direita.
Ah... eu acho que me lembrei. Eu a conheço de outra encarnação!!! Dessas bem lá de trás, quando Papai do Céu deve ter escrito em sua cadernetinha de bolso que um dia, passasse o tempo que passasse, acontecesse o que acontecesse, “eu e a pilota voaríamos um do lado do outro”.
LIBERDADE
Pequeno, papai e mamãe, sagrada família
sem ser piegas, vir com rótulos ou apologia
Sim é importante! Não vivi mas sinto saudade
de algo que eu não sei como é que é de verdade
Esgoto o físico, aguço o intelecto, miro o equilíbrio e a calmaria
Mas inquietude e inconstância me fazem companhia
Como se existe um remédio que curasse essa ansiedade
Ou que pelo menos abrandasse toda essa dualidade
De querer espaço e ficar livre, mas às vezes se sentir sozinho
Pois que seja por vocação, opção ou descaminho
É com a solidão que se paga, mais cedo ou mais tarde
O preço da conquista da verdadeira liberdade...
sem ser piegas, vir com rótulos ou apologia
Sim é importante! Não vivi mas sinto saudade
de algo que eu não sei como é que é de verdade
Esgoto o físico, aguço o intelecto, miro o equilíbrio e a calmaria
Mas inquietude e inconstância me fazem companhia
Como se existe um remédio que curasse essa ansiedade
Ou que pelo menos abrandasse toda essa dualidade
De querer espaço e ficar livre, mas às vezes se sentir sozinho
Pois que seja por vocação, opção ou descaminho
É com a solidão que se paga, mais cedo ou mais tarde
O preço da conquista da verdadeira liberdade...
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