sexta-feira, 16 de novembro de 2018

BATENDO PANELAS


Ideologica e politicamente, no Brasil, a direita, centro-direita, ala liberal, neoliberal ou “coxinha” mesmo, como queiram meus resistentes leitores, sempre se utilizou de ícones, modelos ou estratégias de outras paragens conservadoras em suas estocadas manobristas aqui nas terras tupiniquins.

Pensando em termos de marketing de massas, os arautos desses movimentos talvez, quem sabe, se utilizem, por exemplo, de panelas, utensílio tão popular e emblemático para a satisfação de uma necessidade básica do ser humano, para sinalizarem uma preocupação social e popular que decididamente não têm.

Senão vejamos, finalmente no poder, a “direita” descarta as panelas e… as massas! Porque o receituário liberal ou neoliberal avança sempre em direção aos cortes de verbas sociais, tais como as da educação, saúde, moradia popular e de bolsas de auxílio de combate à fome. A proteção ao sagrado lucro dos acionistas e o “crescimento” sem distribuição de renda é o grande mantra do deusmercado. Já viram algo parecido?

Manipuladoras sim, pois nesse balaio “ideológico” os mais portentosos detentores da estrutura de produção e de capital conseguem arrastar para suas trincheiras parcelas da população remediada ou desremediada de toda natureza. Aliam-se um lado, por convicção e interesse, com o outro, por ingenuidade e/ou ignorância, desculpem mas o eufemismo em nada ajudaria nessa hora.

Não é por acaso que o chamado “panelaço”, ou a nossa boa e “velha” batida de panela, teve origem, como fenômeno social, em 1971 no Chile como forma de protesto contra o governo de Salvador Allende, primeiro presidente de república e chefe de estado socialista marxista eleito democraticamente em toda a América.

Allende governou o Chile de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, general Augusto Pinochet, reponsável por uma das mais sangrentas ditaduras militares já implantadas na América Latina. Perdoem meus pacientes ledores por escrever o que já sabem, mas um pouco de história certamente não faz mal para alguns brasucas.

E por falar em história, só a título de curiosidade, apenas e tão somente, o presidente Salvador Allende, no Chile, foi golpeado em 1973 após uma greve de caminhoneiros.

MISTURA

Sonhos românticos, fragmentos de poemas
roteiros incertos, caminhos com dilemas
se de tudo isso se vive um pouco
por nada sobrevive esse amor louco


Mas insano é esse mundo, seara de fúteis expressões,
rótulos, estigmas e preconceitos aos borbotões
de mentiras oficiais, receitas discutíveis
palavras decorativas e discursos perecíveis

Mas se há frágeis relações de interesses descartáveis
sobrevivem vínculos d’almas e uniões intermináveis
se sobejam mágoas e rancores guardados
não se encarceram paixões e desejos escancarados

Se de todo esse mosaico, de toda essa mistura
o que me resta é essa loucura
que seja essa minha verdade
o seu amor, minha perfeita identidade...

domingo, 19 de novembro de 2017

O BOLO E O “MILAGRE” SEM REPARTIÇÃO

O chamado “milagre econômico” ocorreu no inicio dos anos 70, no “coração” do governo militar brasileiro, se é que existe um desses num regime de exceção. Anos de chumbo. E este rabiscador, que até veio a cursar a tal da economia depois, acredita que ainda que não tenhamos vivido determinado período um pouco de história não faz mal a ninguém.

À época, nosso czar econômico, o senhor Antonio Delfim Netto, implantou no Brasil agressiva política de exportações de commodities, achatamento salarial e aumento exponencial de nossa dívida externa para financiar o desenvolvimento econômico mas não social.

Experimentou-se assim o tal do “milagre econômico”, através do qual alcançou-se crescimento anual do PIB de 11%, com o “marginal” detalhe de que toda essa riqueza era concentrada nas mãos, e bolsos, duma casta e afortunada parcela da população.

Delfim Netto tinha uma frase lapidar para justificar essa anomalia cíclica, dizia que “era preciso crescer o bolo para depois reparti-lo”. Se à época o deus mercado já fosse cultuado tal qual é hoje, economistas seguidores dessa seita teriam múltiplos orgasmos com a teoria delfinista.

Bom passaram muitos anos e nada de repartirem o tal bolo. Sobraram para os do “andar de baixo” os sacrifícios sociais com o pagamento da gigantesca dívida externa contraída. Com a ingerência do tal de FMI–Fundo Monetário Internacional- receitando políticas de arrocho e concentração de renda para que pudessem garantir o recebimento deles.

Enfim, gostem ou não os antipetistas, antilulistas, antidilmistas, economistas antikeynesianistas e neoliberais, foi durante os governos petistas que veio a tal divisão do bolo! No maior processo de inclusão social após décadas de modelos econômicos concentradores de renda.

Mas como às vezes, infelizmente, a história se repete, hoje vivemos período de “euforia” dos economistas neoliberais, que fazem vistas grossas para um governo vampiresco para os pobres e recheado de denúncias, para comemorarem a recuperação da “economia dos barrigas cheias” enquanto outras vazias desmaiam de fome na escola primária e precária.

sábado, 18 de novembro de 2017

A Dona Cida e a máquina de café do Prédio “Verde”


Hoje a máquina de café estava sem serviço. Chato. Mas chato mesmo é que a Dona Cida também está sem serviço. No banco (do brasil) de reserva, na espera. No caso dela sem trabalho e remuneração. Oficialmente, a informação é de que no projeto de prédios ecológicos ou “verdes” não há espaço para lixo, migalhas, resíduos alimentares, e ao que parece também não há lugar para a espontaneidade e simplicidade da Dona Cida.

E olhem, meus penitentes leitores, corporativos ou não, que tenho mania por limpeza, organização e ambiente clean. No meu esconderijo residencial a mobília é minimalista. Sou obcecado por grandes vazios espaciais. Por ecologia e pelo verde então, nem se fala! Criado na rua e “trilheiro” por vocação, apaixonado pelo verde de palmeiras e palmeiras. Mas o que me incomoda é a desumanização do ambiente ecológico corporativo. Árido e frio. Descomprometido com o emprego das pessoas e com o que isso representa, em termos de ecologia e sobrevivência do planeta e de seus habitantes mais modestos.

Eu abro mão do comodismo do café com xícara na mesa, mas ir tomar o dito cujo numa dessas copas empresarias da vida, no meio do dia, e trocar, por alguns instantes, a selvageria do mundo financeiro, ou de qualquer dessas selvas que o valha, pela atenção e carinho da Dona Cida não tem preço! Tenho admiração especial por essas pessoas simples e lutadoras. Que conservam certa pureza tão bem contrastada com a ardilosa sabedoria que campeia no mundo regido pelo signo do deus “mercado”.

Gente humilde e briosa, que trabalha e em cujo trabalho cada posto suprimido são bocas sem alimento e corações sem esperança. Sabedores de que não nasceram com uma “estrela” na testa. Batalhadores que precisam ir à luta para garantirem seu sustento e de sua prole pois não tem quem isso faça por eles. 

Enfim a máquina de café nunca vai substituir a Dona Cida, pois a maquina de café, ainda que volte ao serviço, com açúcar ou adoçante, vai ficar me devendo o afeto do doce sorriso da Dona Cida.


sábado, 11 de novembro de 2017

PRELÚDIO

Amores de menina
agouro de bruxos
aves de rapina
tudo que começa
mas nunca termina

Dia a dia
o que não morre de cotidiano
sobrevive por amor
ainda que calado
prazer adormecido pela dor

Ensaio de nova vida
Compromisso de outros tempos
interrompido pela partida
com a mudança dos ventos

Eterno prelúdio
do sentimento que pulsa latente
e de repente renasce
silenciosa e desvairadamente...

PARADOXOS CONVERGENTES

Rasgam os véus dilaceram a pele em traços
Deslumbre carência de menina bonita 

Apaixonada, obcecada e... aflita
Frágil corajosa, errante em seus passos 

Intensa e fugaz mata-se por amor
Renasce ainda mais bela da própria dor

Verso tupi poesia cabocla 

Rabiscada no olho e na boca
Melodia tranquila mas ao som de tambores
Arrebatadora fêmea vestida de amores
Criança sensível e protetora 

Loba possessiva e invasora

Suave amor arrasadora paixão
Sonha, ó cabocla, com casinha no campo
Devaneia, ó princesa, vestida em seu manto
Menina mulher, doce e feroz encanto...






INVISÍVEL

Apesar de terem me visto nem assim também me acharam
talvez até tivessem revirado esses versos amarrotados
mas que nada, nem aqui nem lá me encontraram

Rótulos e preconceitos inúmeros
nem argumentos frágeis os negam
nem assim me enquadram
pois se veem o corpo a alma os cegam

Fico e vou, nem mais aqui eu estou
sobraram as palavras, os sentimentos
talvez um sonho que nem eles nem o tempo apagou.