segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A arte, irmã gêmea da subversão…

A repressão e a ditadura foram, são e serão sempre “dribladas” pelo verdadeiro talento artístico. A arte com sua essência inquieta e contestadora é inimiga mortal dos regimes fascistas. 

A ditadura brasileira dos anos 60 que "nos deu de presente" a genialidade de Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros, agora, em sua recaída dos anos de trevas do bolsonarismo, nos põe, de novo, diante de uma espetacular safra do cinema nacional.

O sentimento e a motivação de atores e diretores ficam escancarados em suas falas pós-premiações. Mais do que retaliações e revanches, que também são, pontua-se nas declarações os fatos, revezes e as lições que devem ser tiradas. Conta-se a história assim como se fosse exorcizar demônios. Como disse Kleber Mendonça Filho é uma espécie de catarse. Gosto dessa palavra pois ela tem o sentido de pirraçar o sofrimento causado, assim como rir da cara da morte e das trevas…

Sim trevas, sem exagero ou força de expressão. Época que se combate a arte e o verdadeiro talento. Pois sabem os tiranos o perigo que a manifestação artística representa para quem vive de mentiras, mediocridades e preconceitos, sejam eles morais, religiosos, raciais ou estéticos. 

Consideram os ditadores/golpistas, como vimos nos anos bolsonaro, arte as manifestações bajuladoras e sem conteúdo de cantantes de uma geração “sertaneja” que jogou no esgoto a verdadeira, e respeitável, independente de gostos, cultura do sertão e do interior.

Mas o verdadeiro talento não é consentido nem acéfalo, é contestador, pensante e cheio de ginga. E o cinema, assim como a geração de ouro de nossos poetas/compositores, dá agora com Kleber uma “caneta no meio das pernas” da extrema-direita que já o marcava, com censura e truculência, desde o seu Bacurau. 

Assim como já fora driblada, ano passado, por Fernanda, Selton, Marcelo e Walter. E aí drible e ginga de corpo é o que não falta no talentosíssimo ator baiano Wagner Moura!

Dito e comemorado isto, fica o alerta da jornalista Manuela Carolina Borges, hoje no ICL, “enquanto o Agente Secreto conta ao mundo os horrores da ditadura, o congresso tenta anistiar golpistas saudosos dos militares”

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