sexta-feira, 13 de maio de 2022

Cecilia, a Santa nossa de cada dia...

Essa tinha que virar crônica. Virou em dez minutos. Moro numa região limítrofe entre os bairros de Santa Cecília e Higienópolis em São Paulo. Ainda no lado de Santa Cecília. Se atravessar a rua já estou em Higienópolis. 

Para quem não é de Sampa esclareço que Santa Cecília é um bairro digamos assim mais popular e Higienópolis mais elitista, de colonização predominante judia. Cecília, a Santa, é mais despojada, rebelde, poética e divertida. Mais a cara deste cronista de botequim. Perto do Minhocão, das suas poesias de rua e da intelectualidade do baixo Augusta.

Dia desses nessa faixa de gaza, entre Cecília e Israel. Eu sei que não devo brincar com esse assunto. A última vez que citei as diferenças entre os dois bairros, nítidas e marcantes, levei algumas "canceladas" da galera do andar de cima. 

Mas não adianta, o rabisqueiro é zombeteiro, irreverente e não tem muito juízo... Ainda mais numa sexta, 13!!

O problema é que o pessoal do andar de cima tem certa "impaciência" com a galera do andar de baixo. Outro dia parei 10,5 segundos pra estender o braço e entregar uma baguete para um morador de rua e tomei um buzinaço na retaguarda que só me restou gritar "fora bolsonaro"... 

Enfim, nesse tal dia, o da faixa de Gaza, na porta duma farmácia um mendigo me pediu pra eu comprar desodorante pra ele. Sai rápido porque não tinha o que eu queria e esqueci mesmo do pedido. 

Na saída ele me olhou, aí me lembrei dele e até expliquei que não tinha comprado nada. Pediu, então, uns "trocados" ao que respondi que não tinha nenhum no bolso. Absoluta verdade. Sem hesitar ele falou "me faz um Pix". Bendita a ainda sobrevivente democracia! Resta agora a distribuição de renda!

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Palavras...

Verbos em punho 
escrever é um ato de subversão 
amor e inteligência
luta e paixão 
questão de sobrevivência 
arrebatamento d'alma e coração 

Palavra, linda e absoluta 
intima e confidente
intensa no amor 
parceira na luta 
solidária na dor

Elas estão por ai 
à espera duma sentença
de um dom 
que as namore 
tire pra dançar
e mesmo a palavra mais inquieta e intensa 
diz que... nada é mais subversivo que amar...

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Transbordos, orgasmos e partos

Neste mês de abril o blog "Crônicas, poesias e outras baboseiras...! completa 10 anos. Eu tinha feito um pequeno post informativo para tratar o assunto. Meia dúzia de linhas. Curto e grosso. 

Antes de publicá-lo mostrei o para uma amiga virtual. Baiana arretada, colega do banco e especialista em marketing e divulgação. Ela, que me conhece através dos meus rabiscos, foi cirúrgica.

 Disse que "ficou parecendo folheto de sinal. Que faltava leveza e humor. E que não estava à altura da minha inteligência, talento e criatividade". Morde e assopra rs 

Ainda argumentei que não era uma crônica e sim um postzinho. Mas parei e pensei. Quase sempre aceito feedbacks. Ou às vezes? Raramente? Tá bom dessa vez aceitei! 

O blog, o tal aniversariante, nasceu em abril de 2012. Sob o signo de áries, ascendente em gêmeos e lua na casa... da mãe Joana. Foi parido para registrar e "guardar" os devaneios de um bancário, metido a poeta e cronista.

Antes disso muita coisa tinha se perdido em folhas de caderno, de blocos de anotações, papel com pauta, ou de improviso mesmo e, até, em arquivos dos PC's da vida. 

O blog conta atualmente com 128 publicações. Ele é, com os seus 69 primeiros rabiscos, pai dos livros "La vitta scritta in versi" e "La vitta scritta in prosa ". 

Enfim rabiscar para mim é um transbordo, catarse. Um orgasmo. E assim esses 69 foram só preliminares. Já este ano o terceiro filho, ops livro, vem ai...

Os três pês, a elite e a turma do andar de baixo

No Brasil a “lei é para todos”: pobres, pretos e putas. Esta era afirmação corrente nos anos 80 do século passado dita por críticos sociais. No próprio meio jurídico, conforme cita matéria do https://diariodoengenho.com.br de 25.06.2018, figuras como o promotor de justiça e professor de Direito Penal na UNIMEP, o Dr. José Ribeiro Borges, em Semana Jurídica promovida pelo Curso de Direito, causou grande surpresa ao dizer que no Brasil, infelizmente, a cadeia era ainda destinada e caracterizada pelos “três pês”. Ou seja: para os pobres, pretos e putas.

Respeitados o conhecimento e saber jurídico dos mestres da área e de outros críticos sociais que criaram essa triste e verdadeira afirmação, este impertinente cronista de botequim tomará a ousada liberdade de fazer duas ressalvas a essa brilhante tese, incluiria um quarto P de petistas neste grupo e faria a observação de que as putas alvo das garras da lei seriam as pobres, as valentes trabalhadoras.

Essa perversa realidade mostra a falta de políticas publicas democráticas de inclusão social. Ah está faltando políticas públicas? Mas e o Lula? E o PT? Sim, amável e fiel gado, foi nos governos do PT e do LULA que tais políticas foram mais prioritariamente implementadas. Há até um certo número que qualquer brasileiro ainda que desavisado já deve ter ouvido falar, 40 milhões de compatriotas nossos saíram da linha da miséria absoluta durante os governos do PT.

O drama fica ainda maior se notarmos que a maioria da população pobre é preta, o que potencializa o efeito nefasto desta realidade. E aí os pretos que rompem essa barreira da pobreza e conseguem fazer sucesso em suas carreiras ou áreas de atuação são vistos com “nariz torto” pela elite de supremacia branca. Edson Arantes do Nascimento, muito mais do que pela sua genialidade futebolística conquistou a elite com a sua subserviência e “doçura”. Como diziam os antigos, ainda antes do advento da lei racial, “era um preto de alma branca”. Até escrever isso dá náuseas.

Por outro lado, hoje zapeando os noticiários soube da 13ª colocação de Lewis Hamilton no GP de Ímola, inexplicável para a equipe Mercedes que reinou absoluta nos últimos anos na Fórmula 1 e para o piloto que o ano retrasado conquistou o heptacampeonato da categoria. Sem querer esmiuçar as teses de desenvolvimento das equipes, uma vez que a F1 é um “esporte” que o fator determinante para a vitória é a máquina. Senão vejamos Schumacker, Senna, Prost, Piquet, Emerson, Stwart, o próprio Hamilton qual grande campeão assim o foi guiando numa escuderia que não fosse de ponta?


Mas o que me causou espanto eram os comentários interativos dos leitores das matérias, alguns questionando o talento do piloto britânico, em contrapartida muitos o defendiam, mas havia um outro grupo que chegava a desmerecer Hamilton, de forma rude, pejorativa e até raivosa. Ai bingo! Independente das qualidades do piloto, que na modesta opinião deste rabisqueiro está entre os melhores de todos os tempos, o problema de Lewis é ser preto num esporte caro dominado por brancos, que preferem os olhos claros dos pilotos nórdicos. 

E, ao contrário do rei Pelé e do sub príncipe Neymar, Lewis compra brigas dos pretos, escancara as injustiças sociais, protesta nos suntuosos autódromos contra a violência racial e isso mais do que sua habilidade ou não de pilotar parece “incomodar” a elite branca, perfeitamente representada na milionária Fórmula 1.

terça-feira, 29 de março de 2022

Sol e Lua!

O sol desperta
a lua flerta
o sol é brilho
a lua feitiço
o sol é o prato do dia, o suor do rosto
a lua é o brinde e o tira-gosto

O sol ilumina
a lua clareia
o sol escancara
a lua sussurra
o sol é reunião, discurso e conferência
a lua é encontro, diálogo e confidência

O sol é razão, poder e desenvolvimento
a lua é sensação, sonho e sentimento
não convivem mas não são excludentes
o sol é o lugar da vida
a lua a terra prometida
o sol é tratado
a lua poesia...

sábado, 19 de fevereiro de 2022

O tempo em luas...

Se de tudo fosse um pouco
nada seria tão tudo como o mar, o céu e a lua
nem mera paisagem nem geografia tampouco
só poesia nua e crua

Sem luxo, simples como tudo que vale a pena
sem banquete ou ceia
apenas debaixo da lua numa toalha pequena
ao som de uma linda sereia
sem discursos vazios de ano novo
festas para os ricos miséria para o povo

Se o tempo se conta em anuários
o do poeta se traduz em momentos de inspiração
sejam em versos geniais e lendários
ou no simples transbordo do coração

A mudança não se prende a calendários
a inteligência não se acha em frases padrão de autoajuda
a criatividade não se encontra em armários
e a vida antes de ser floresta é muda...

A política, seu tabuleiro, mapas e contornos...

A Eleição se avizinha e a história e geografia, de novo, mostram seus contornos políticos. Há diferenças regionais, estaduais e entre o interior e as capitais.

Desde lá do Rio Grande do Sul, nota-se que o interior tem traços mais conservadores, enquanto a capital, à lá Manoela, apresenta perfil mais jovem e socialista. 

Já no restante da região Sul, Paraná e Santa Catarina, a direita nada de braçadas, seja no litoral/capital ou interior. Nem a bela Florianópolis é uma ilha nessa geografia de siglas de direita. 

Maior colégio eleitoral do País, o estado de São Paulo também apresenta diferenças entre capital e interior. A capital, cosmopolita e multifacetada, tem perfil mais progressista. Já no interior, conservador, predominam os fãs mais à direita.

O Rio de Janeiro continua lindo. Mas só. Nem a garota de Ipanema e seu gingado arejam as mentes evangélicas que  unidas aos braços armados milicianos, têm eleito sinistros governantes locais. E dão aval nacional para famiglia Bolsonaro. Freixos, Beneditas e a saudosa Marielle são oásis nas areias cariocas. 

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, parece que só aprendeu rezar na cartilha de Aécio e seus discípulos. Apesar de que por lá, também, a capital, ter perfil mais politizado, no final das contas a turma do Aécio e do Zema (bozo gourmet) parece ser a preferência, ao lado do pão de queijo, uai!

Enquanto a região Norte é uma verdadeira floresta de políticos conservadores, a região Centro Oeste tem na força da soja, "que ergue e destrói coisas belas", né Caetano?, a cultura que elege  fazendeiros da UDR local e apoia “destros” nos sufrágios nacionais, ou naufrágio geral.

E por falar em Caetano, poeta baiano, e em oásis, de praias e ideias, o Nordeste tem sido grande reduto progressista, esquerdista e lulista do Brasil. Hoje nem ACM teriam vida fácil nas terras de Mariguella e Jorge Amado. Enfim, terra e cabeça plana, e oca, não dão ibope na Bahia e no Nordeste Maravilha.

Mas ainda que sopesadas as nuances regionais, em 2022, no final das contas, ainda que com votação desigual, o velho bruxo estrategista há de ser, de novo, a preferência nacional.