domingo, 30 de janeiro de 2022

Sempre irmã!

Primeiro cinco de fevereiro sem poder falar com você
pois mesmo sem a presença e a fala constante
nunca deixei de sentir você do meu lado
sincronia de quem é ligado mesmo distante
de quem vive junto ainda que desgarrado

Não foste minha irmã de ventre
mas eu me criei contigo
e se tua casa foi minha por circunstâncias
o seu amor sempre foi meu abrigo

Podia ficar meses sem te ver ou ouvir
mas nunca senti teu silêncio
e teu gesto sempre me foi presente
como aquelas coisas que não se ouve,
não se vê
só se sente

Independente e lutadora
justa e solidária
de personalidade forte
enfim, mais do que isso
é minha sorte
de ser, sempre, teu irmão postiço...
Minha rosa sempre azul!

Sofá, sala, quarto e cama...

Num desses escritos de outrora já rabisquei que passei infância e adolescência em sofás ora aqui ora ali. Conheço bem, ora pois, esse móvel que sempre cruzava meu caminho. Eles "imóveis" eu perambulando.

Aliás, diga se de passagem, os meus primeiros quarto e cama só vieram com minhas núpcias, verbete impoluto, esse né? Talvez isso explique o porquê de eu ser tão casamenteiro. Seria isso, meu caro Sigmund?

Alguns, até, julgam, mesmo sem toga, que não fiquei com ninguém e que tais relações não deram certo!! Veredito errado! Foram lindos e marcantes relacionamentos e deram muito certo todos eles. Tenho sorte, tive companheiras maravilhosas, que muito me amaram e também foram amadas. O não perdurar não apagou o brilho e o valor de cada uma dessas relações. Se alguma coisa deu errado foi culpa da impulsividade e inconstância romântica dum poeta geminiano. Coisas do passado!

Mas voltando ao sofá, um agora solitário no pequeno apartamento de um quarto. Esse ai me remete à gula vendedora das lojas de "pesadelos". Que, sem cerimônia e escrúpulo, parcelam em 90 vezes, a juros extorsivos, os sonhos de errantes velhinhos de quase 90 anos. Mas o troco vem, via calote!

Porém longe de seu sofá de crediário, eu só sonho que meu malvado favorito descanse em paz, de preferência, numa cama celestial ao lado de sua amada...

sábado, 29 de janeiro de 2022

Lua, insônia, subversão e soneto...

Se o verso me traduz
a rima é imperfeita
ainda assim o soneto conduz
a inspiração refeita
que rebelde, subverte a métrica
já o ritmo, cativo, concorda
com a estrofe assimétrica
e a poesia transborda...

sábado, 22 de janeiro de 2022

Simples como as crianças


Preconceitos camuflados, discriminações dissimuladas
deslealdades sutis e mentiras descaradas
fórmulas impróprias de receitas discutíveis
belezas decorativas, conteúdos vazios com rótulos perecíveis


Porém... restam os sonhos deslumbrantes
escondidos em fragmentos de poemas
de renascidas esperanças
inspiradas na pureza das crianças...

reCORTE

A dor que agora lateja
ainda que ninguém saiba
e muito menos veja
quiçá porque só a mim caiba
assimétrica assim
começa e parece não ter fim

Vídros, pedras, obstáculos
na terra, areia ou asfalto
cravados nos pés, braços e até tentáculos
tudo passa menos ela, agora impregnada no tato, visão e olfato

Mas nem esses nem todos os sentidos
adormecem pés e cabeças, que ora latejam
pois ainda que se achem perdidos
talvez não bem assim os estejam...

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Catarse (ou o transbordo na ponta do lápis)

Se os versos são roteiros pelo destino rabiscados
ora... sem dramas,
são os pesadelos apenas sonhos,
ainda, mal traçados...

Se o menino por medo ou necessidade
se imaginou super herói
pra vencer tanta dificuldade
o homem fez desta presunção
sua realidade...

Se o retrospecto de batalhas
de lutas e superação rende medalhas
o passado faz nos imaginar que seja o presente no futuro
ainda que o breu da noite torne, hoje, tudo tão escuro

Mas nem sempre a vida se repete
porém ainda que não seja permanentemente assim
um espelho que infinitamente o pretérito reflete
resta a certeza de que até os "super heróis" também sonham enfim...

Moinhos de vento (ou 17 dias de UTI)

Se estranho não fosse
ainda assim incompreensível seria
conviver com a razão
guiado pela poesia

No meio da rua eu paro
ando... em silêncio reparo
como fazem pra não sofrer
pelo simples e previsível
pelo qual o trovador possa padecer

Adestrado por necessidade
a ser racional e ativo resolvedor
de obstáculos concretos de difícil remoção
de problemas que a qualquer um atormenta
com justificativa e razão

Aí divago em pensamento
como o tão óbvio que enxergam
parece incrível eu não ver
que mover moinhos de vento
é mais difícil que só seus ares sorver …