quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

A Ford, o portal R7, Manaus e a Venezuela

Certa vez me indagaram como é escrever poesia e crônica. Pois, segundo a perguntadora,  uma dá conta da abstração e a outra do concreto. Disse que é preciso virar a “chavinha”. Coisas de geminiano. Mais ou menos como o Palmeiras para disputar, ao mesmo tempo, a Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão, versões 2020, agora em 2021. Nesse caso torço para que seja brilhante nas três frentes. No deste rabisqueiro só há transbordo, ora do coração ora do fígado! Sendo assim...

No Brasil desde 1919, a Ford anunciou, agora em janeiro, o final da produção de veículos aqui. É óbvio que colocar só na conta do Bozo a saída da montadora seria leviandade. Mas o malabarismo que o tal de portal R7, fez, em matéria, para tentar isentar o governo não deixa dúvidas de que o Planalto Central, ou pântano geral, teve grande responsabilidade no fim desse casamento de 102 anos.

Senão vejamos, o R7 é controlado pelo Grupo Record, que abocanhou as verbas publicitárias governamentais da concorrente, a mãe do antipetismo que ajudou a eleger o Messias, hoje aliado da Rede Evangélica, ops Record. Confuso? Se é para vocês imaginem para a Vênus platinada que tenta, agora, desmoralizar o monstro que criou. A Globo teve mais êxito quando mentiu do que hoje que diz a verdade. Coisas de terras brasilis.

Assim como a criminosa gestão da pandemia da covid. A tal ponto de hoje por falta de oxigênio nos hospitais de Manaus o governo amazonense tentar importá-lo da Venezuela. A situação é tão dramática quanto irônica. A Venezuela ter socorrer o Amazonas com o oxigênio. E no Brasil inteiro ainda faltam vacina, seringas, agulhas e sobram cloroquina e ozônio no reto. Mas quem patrocina queimada na Amazônia não deve se preocupar com falta de H 2 O.

Diante de tudo isso só consigo ter uma recordação. Sexta, 2018, mais de 20 h, véspera do segundo turno, tentava eu resolver um “pepino” financeiro dum “freguês” do banco enquanto na mesa ao lado um grupo tentava convencer o "chefe" a votar no professor e não no capitão. Do alto de seu trono, o comandante bradou que votaria no capitão para “dar um recado às esquerdas”! Hoje seria: “sou cúmplice do genocida...”

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

O Palestra, tio Antônio, Diego e Che

Em algum lugar por aí eu já escrevi que foi meu tio Antônio e sua velha perua Kombi que me apresentaram o estádio Palestra Itália e o Palmeiras, uma das minhas paixões, conforme também já contei numas perdidas linhas como estas.

Mineiro de Passa Quatro, o seu Antônio Ribeiro Mendes era entregador de uma famosa fábrica de queijos. Financiada por terceiros, a intrépida Kombi cheirava queijo até suas entranhas. O Palmeiras era a grande alegria da vida do marido da tia Marcella, meus pais de criação.

Dona Marcella Morandi, italianinha brava e arretada, ficava furiosa quando o palestrino das alterosas subtraia sua banqueta almofadada da velha penteadeira para acomodar um pivete de dez anos junto com dez queijeiros palmeirenses, na velha Kombi, rumo ao santuário Verde.

De pouca escolaridade e instrução, seu Tonho mineiro mal sabia que seu sobrinho e afilhado ia se interessar não só pelo palestra mas por alguns assuntos que ele achava, digamos, meio chatos e enjoativos, política e economia.

E foi na esquerda, política, e no futebol que aprendi a admirar um sujeito canhoto, na bola e na ideologia, que fazia magia com os pés, e com a mão, também, se assim fosse preciso para escrever a verdade dos campos. Que o diga o Império britânico, aquele que se apropriou com mãos e armas das sul-americanas ilhas Malvinas.

Sim, o boleiro “iluminado” Diego Armando Maradona, assim como o ídolo dele, e meu, Che Guevara, não eram cidadãos de bem. Se o seu compatriota portenho dispensa apresentações político-ideológicas, Dieguito, menino pobre da periferia argentina, sempre soube ficar do lado certo da história. O resto é vida e escolha pessoais dele, a quem coube as glórias e infortúnios.

Apenas alguns exemplos aqui da terra brasilis. Maradona revoltou-se e solidarizou-se com ela,quando, num campo de futebol, sua praia, ouviu a presidenta do país, ser xingada, grosseira e covardemente, por bem nascidos pagantes e alienígenas mal educados de um estádio popular. Diferente de seus colegas de pelota daqui, manifestou-se publicamente contra a arbitrária prisão do atual maior líder de esquerda do planeta.

E agora quando anunciam a morte de Diego, irreverente, polêmico, irrequieto e genial, entristecido também lembro do tio Antônio. O meu adorável mestre em futebol e singelo analfabeto em política, que me apresentou o primeiro e, sem saber, por vias tortas, a segunda, assim como aos seus deuses e heróis humanos.

Os maricas, a vacina, a pólvora e o exército tupiniquim

Tenho um certo fetiche em ler os comentários interativos das matérias jornalísticas. Além da visão do colunista acabo conhecendo, também, a opinião dos leitores dele, dos “robôs” e gado, inclusive. Isso sempre ajuda a termos melhor visão do mundo, ou de pelo menos da cegueira de parte dele.

Numa fala recente do presidente da república, aquele da filial da “Trumplândia”, o ilustre afirmou que a república que ele desgoverna tem deixar de ser “um país de maricas” referindo-se à excessiva importância que tem se dado a “gripezinha” que matou mais 162 mil pessoas, no reino dele, em pouco mais de 9 meses.

Na repercussão da imprensa, entre os adjetivos com os quais o autor da frase foi qualificado destacou-se o de homofóbico. A falta de empatia e de humanidade estão tão impregnadas na oração do sujeito que nem cabe discutir. Mas eis que um intrépido leitor de um desses articulistas da mídia o corrigiu asseverando que “maricas podem ser homens e mulheres” logo o presidente dele, e por azar nosso, não manifestou caráter homofóbico.

É de surpreender a capacidade inesgotável que esse gado que segue o Messias tem de justificar o indefensável, qualidade até maior que a do “indefensável” falar asneiras. Sem querer entrar na discussão de que “marica” apesar de ser um adjetivo de 2 gêneros coloquialmente define “o indivíduo do sexo masculino que se comporta com modos femininos”, podemos concluir que o ator canastrão, que ocupa a direção da filial da “Trumplândia”, só exibe tal performance por ter uma sequiosa plateia que têm verdadeiros orgasmos com suas pérolas verbais e “twitais”.

Enquanto isso essa tal plateia “nelore” e os outros que têm que assistir a atuação do Bozo, infelizmente, pelo segundo grupo, esperam por uma vacina, que o “caçador de maricas”, insiste em utilizar, a ausência dela, é claro, como plataforma eleitoral para a reeleição dele no reino dos absurdos. Que este humor, catarse dessa desgraça, não soe, por favor, como desrespeito às vitimas, e familiares dessas, da covid 19.

E parafraseando Vandré, para não dizer que não falei das flores, os mariners que se acautelem o exército tupiniquim prepara o seu ataque com armas, canhões e pólvora, muito provavelmente desconhecendo que assim como a vacina a pólvora também é uma invenção chinesa.

sábado, 24 de outubro de 2020

Simples e inexplicável

É na chuva
vida louca
que se banha a morenice
lava alma
vida pouca
que te leva a meninice

Brincadeira de criança
roupa velha
pés descalços
olhos tristes
mas sorriso
de quem não perde a esperança

Se o amor não se explica
e a razão não se entende
coração justifica
que amar é tão nobre
como a teimosa alegria
de menina pobre

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Moóca

A Moóca, sim bello!
de chuvas e trovoadas
sonho dos ítalos do Brás, “tutti” pés de chinelo 
a Moóca, sim, do Juventus e boas macarronadas

A Moóca, do vinho e das pizzarias
com sotaque de tarantela 
grená, da cor do moleque travesso
da italianinha tão bela 
que vira cabeça do avesso

A Moóca, da São Pedro e da São Judas 
da elegante Paes de Barros 
não Jardins nem avenida Paulista, da rica italianada
mas meca sim, a Moóca, da “porzione” remediada

A Moóca, do longo viaduto 
que a liga ou separa do Brás 
atropela o desatino do bêbado errante 
mas não mata seu sonho 
pois esse não morre jamais!

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Águas e cores de Aquarela

As gotas que sorves com traquina resistência
gole a gole numa corajosa insistência
quem diria... És de ti a metáfora perfeita
da deslumbrante beleza que se enjeita
pois ti de vulgaridade não se enfeita

Aqui mesmo não longe mas de fora
mergulho em ti, mas sei que a dor é tua
vivo, compartilho, choro por ela, aí onde mora
no gueto, silenciosa, despercebida no meio da rua

Só que isso não impede que tua luta seja também tão minha
pois aqui de tão junto sinto você à flor da pele
e não há o que me cale ou esfacele
retratos, fotos, desenhos, traços de criança
eu te amo, minha esperança...

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Reclusão e renascimento

Recorte de vida
reclusão necessária
se essa chance é perdida
a fala é estéril e ordinária 

Silêncio respeitoso
respeito silencioso
a dor que é tua
se perde se vai pra rua 

A reflexão exige interior
que cale vozes indevidas
e ensine na própria dor
a lição das partidas!