segunda-feira, 26 de maio de 2014

APAGANDO VELAS NA REDE

Muitos daqui nem conheço de fato
apenas nos "esbarramos" na rede social
justo aqui neste estranho mundo virtual
que sempre achei insonso e sem tato

Mas descobri que há outro sentido
que prescinde até mesmo do ouvido
que equivale a um acolhedor abraço
na sensibilidade e carinho de um traço

É óbvio que não substitui o olho no olho
nem tampouco o calor da pele na pele
o quente e úmido sussurro no ouvido
muito menos o doce de um beijo furtivo

Mas há por aqui vida sensível e inteligente
e eu ainda que trovador inquieto e irreverente
já percebi que existe uma energia diferente
que conecta o coração dessa gente

Por isso navego sem me sentir um corsário
publicando baboseiras, crônicas e poesias
que falam da vida, de antônios e de marias
até mesmo agradecem votos de feliz aniversário!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

INDISCRETAMENTE CALADA

Hoje ela não flui  só escorre
não brota... mas não morre
mexe, remexe e pulsa latente
poesia sobre(o)vivente

O verso inerte não tem trama

Mas  ainda assim há chama
Pois a alma clama
E o coração ama

Não sei se é lamento ou poesia

se é arte ou apenas melancolia 
Mas há sim o encanto 
Que seca meu pranto...  quando penso em você!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

COISAS DO CORAÇÃO

Se diferenciam em diversos sentidos
Uma salta aos olhos a outra aos ouvidos
Uma acelera a outra acalma o coração
Ambas alteram a cor, o gosto e a respiração

São flores do mesmo jardim
Uma é rosa a outra é carmim
cada uma do seu jeito, imperfeito
cada uma ao seu tempo, respeito

Uma é idade outra maturidade
Uma soma ou subtrai outra só multiplica
Uma não se entende a outra não se explica
Uma é a paixão a outra é o amor e amizade

Uma, a paixão, colore a vida na janela
A outra, o amor, dá sentido a ela...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

CONTRAPONTO

O movimento é o instrumento que toca a vida
som, harmonia e equilíbrio que vem da lida
e o repouso é o desconserto do movimento
parado então neste momento... só pensamento

Lutar! Correr contra o vento, nadar contra a correnteza

mas também saber aceitar o que vem da natureza 
seja o que for, no amor ou na dor, que a paciência
não seja fuga ou conformismo e sim consciência

Pois quando se corre pulsam as veias e o pulmão

quando se estanca só se ouve a mente e o coração
que dão o tom e o valor da calma e serenidade
mas sem esquecer que a criação é um ato de ansiedade...

domingo, 27 de outubro de 2013

AS ROSAS DE OUTUBRO

Tenho certa resistência em embarcar nessas campanhas de ocasião com viés de divulgação comercial. Mas alguns assuntos são tão relevantes e fundamentais  que se sobrepõem a interesses menores de qualquer outra natureza.  

Enfim, conforme asseverou Fernando, o Pessoa,  “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.  Creio que esse seja o caso da campanha de prevenção do câncer de mama. “Outubro Rosa”. 

Também tenho prevenção com ditados, dogmas, rótulos e frases prontas. Acho pouco criativos, massificados e bitolados. Porém, a maturidade me ensinou a, pelo menos, respeitar a sabedoria popular. Senão, vejamos essa experiência da vida.  Sexta-feira, por volta do meio-dia, 05 de agosto de 2005, Hospital A. C. Camargo, em São Paulo (SP). Segurando a minha mão, uma guerreira, sem pintura e sem armas, já inconsciente, me ensinou que o “último suspiro de vida” é muito mais do que uma simples frase retórica. 

Durante seis outubros, essa mulher corajosa travou uma luta incansável e sem tréguas contra um inimigo violento e sorrateiro. Defendeu-se à luz do dia de ataques às escuras. Batalhou com garra, mas com muita fé e serenidade, tocada na alma pareceu atingir uma espécie de Nirvana. Paro por aqui! Com certeza mais detalhes nada acrescentarão a essa narrativa.  Pois só trago até aqui essa história, com todo o valor e emoção que carrega para mim, para prestar uma homenagem, ou talvez até mais do que isso, um tributo a uma dessas rosas de outubro.

De minha parte sigo em frente aprendendo com elas e por elas.  Pois, de mãe para filha, pelo meu caminho passaram, e ainda passam, não só essa, mas também outras rosas de outubro. E assim como uma espécie de escrita ou de sina, a vida se repete e me ensina como podem essas mulheres, “frágeis” meninas, se reinventarem para diante da dor se mostrarem  tão femininas.  

E por isso, diante de mais uma de outras tantas internações, eu, mesmo que a distância, mas não ausente, mesmo que se não fisicamente presente, mas sempre em coração e mente, quero especialmente falar de uma Rosa desta primavera, da irmã de qualquer estação, que simboliza e traduz, com sua coragem, determinação e luta, todas e cada uma dessas Rosas de Luz.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

SEM MEIAS PALAVRAS...

Ele, o poeta, não é para-raios é antena
Da feiura de Tróia ou da beleza de Helena 
não é delicado e cortês por condição
muito menos comedido e fiel por obrigação

É irreverente e irrequieto por vocação

Transgressor e indiscreto por opção
É Romântico e sonhador por crença
Sedutor e apaixonado de nascença 

Poesia não é consolo nem muleta

Poeta não merece busto nem estatueta
Não é modelo, padrão ou referência
Ora... arte não é ciência

Poeta não escreve manual de autoajuda

não é vaso, nem flor sequer uma muda
mas respira e vive a vida até o talo
com a mente, o coração e com o falo...

domingo, 25 de agosto de 2013

PIT STOP ESTÉTICO

Outro dia almocei em companhia de duas jovens e talentosas funcionárias da empresa em que trabalho. As senhoras XYZ e YZX. Aliás, o senhor ZYX completava a nossa mesa.  Se a refeição foi num local trivial, os assuntos não o foram. De a A a Z versamos sobre a mais variada gama de temas. Dos mais leves até os mais indigestos. Vou me ater a um deles.   A reinvindicação de ambas de que precisariam de meia hora da segunda-feira, preferencialmente na parte da manhã no horário comercial, para manterem as unhas das mãos pintadas e em bom estado de conservação. 

Achei bastante razoável o pleito. E fui mais além, disse que os pés e suas unhas também mereciam a mesma atenção, ainda mais no verão. Noto que hoje é muito comum as moçinhas calçarem rasteirinhas e mesmo havaianas  (não cobrarei pelo “merchan”) no trajeto até o trabalho antes de subirem no salto. Eu, particularmente, acho um hábito saudável, mas que exige das moçoilas cuidado redobrado com os pézinhos. 

Cheguei a sugerir a minhas colegas  uma manifestação na Av. Paulista para reinvindicar esse direito.  Pauta pertinente para o bom desempenho profissional dessas valentes trabalhadoras de dupla jornada.  Seria importante, também, para manter o status de “manifestódromo” da avenida mais democrática de Sampa.  Dia desses houve uma manifestação aqui na Paulista contra o governador do Rio de Janeiro, o Cabral. Mas será o Benedito?

 Aliás, manifestante de outros carnavais, bem mais cinzas, não resistirei a uma observação. Esses movimentos difusos e  acéfalos terminaram do mesmo jeito que começaram, sem dizer a que vieram e para aonde queriam ir.   Mas enfim bateu saudades do shopping center, do Playstation 9, do Mac Donald´s, de outras “azarações”   e das férias de julho na Disneylandia na galerinha do Iphone...

Mas voltemos ao tema central do meu almoço comercial, os cuidados estéticos da mulher trabalhadora. Apesar de boa e defensável, fiquei pensando se essa ideia do pit stop estético nas manhãs das segundas-feiras não provocaria um grande reboliço nos salões de beleza. Introduziríamos um grande e novo pico sazonal no segmento. E o exército de manicures que seria necessário para dar conta dessa demanda! Aliás, uma curiosidade acerca dessa profissão, manicure “fazer os pés” é desvio de função? 

Mas tudo isso é contornável e não pode inviabilizar a justa reinvindicação. Afinal,  a presença da mulher cresce no mercado de trabalho. Elas galgam postos de comando e estratégicos, e  elegância, charme e feminilidade  combinam sim e muito bem com talento, sensibilidade e inteligência. E convenhamos, se até os “bolinhas” estão se cuidando mais e melhor porque as “luluzinhas” deveriam deixar de fazê-lo?     Meninas, à Av. Paulista !!!