terça-feira, 13 de janeiro de 2026

As eleições, o orçamento secreto e a cara de pau revelada…

Houve um tempo que muito político picareta às vésperas de eleições virava “santinho”. Isso não só naqueles papeluchos de propaganda eleitoral. Mas também em ações e comportamento. Próximo das eleições procuravam defender os interesses da população ou pelo menos não prejudicar o povo. Era a chamada farsa pré-eleitoral. Eleito esquecia promessas e projetos sociais. Era assim até a criação do chamado “Orçamento Secreto”. Era!!

Depois do orçamento secreto e das chamadas emendas Pix, o legislativo deixou, por assim dizer, de se preocupar com a opinião do eleitorado. O tal do orçamento secreto é na verdade uma prática legislativa brasileira iniciada em 2020 para destinação de verbas do orçamento público a projetos definidos por parlamentares sem a devida identificação. A caracterização como "secreto" surgiu na mídia, justamente, devido à falta de transparência quanto aos valores individuais de cada repasse e dos nomes dos parlamentares envolvidos.

Ano de 2020 né? Governo bolsonaro né? Não por acaso, né!! Encurralado pela volumosa quantidade de pedidos de impeachment em razão da sua gestão criminosa na pandemia, Jair Messias Bolsonaro entregou a “chave do cofre” ao então presidente da Câmara legislativa, Arthur César Pereira de Lira em troca do engavetamento de inúmeros pedidos de impeachments. Nome e sobrenome aos bois! Aliás, por falar em bois, o “gado bolsonarista” deveria pesquisar o assunto. Não no zap da tia, é claro!

Hoje combatendo essa praga temos, quase que solitariamente, o que este cronista secreto considera um dos mais inteligentes, íntegros e competentes servidores públicos deste País, o ministro do STF, Flávio Dino de Castro e Costa, esse merece nome e sobrenome por honraria! Digo solitariamente porque a grande mídia patronal não dá muito destaque e apoio ao trabalho do ministro. Ilustre botafoguense!

A grande mídia prefere fazer campanha presidencial do CEO de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Aliás CEO das milícias cujas grandes realizações se resumem a criação de pedágios, a privatizações de patrimônio público rentável por valor inferior ao seu preço real, em tabelinha com a Faria Lima, e entrega de poucas obras públicas realizadas predominantemente com recursos federais. E, ainda, com toda cara de pau, fala em entrega do Rodoanel, obra com a marca dos governadores Mário Covas e Geraldo Alckmin.

Em 2025 o total do orçamento secreto, sabe-se o valor mas não sua destinação, atingiu 1,26 bilhão de reais. O que é mais cruel é que isso é subtraído do orçamento da saúde, educação e outras áreas sociais. Em nenhum país do mundo, o Congresso “sequestra” tanto do Orçamento Público. O executivo é eleito para controlar o orçamento e o legislativo para legislar e fiscalizar, não para tomar dinheiro público e manter currais eleitorais. Ai haja shows sertanejos em cidades que nem têm serviços públicos essenciais decentes.

Por isso, apesar das grandes manifestações públicas,  como aconteceram em 2025, o Congresso continua virando as costas para pautas populares, como redução de jornada de trabalho e muitas outras. Dedica-se apenas a aprovar, na calada da madrugada, anistia para golpista e blindar seus integrantes de investigação de crimes. 

O “congresso inimigo do povo” conta em se reeleger despejando o orçamento secreto em seus currais eleitorais sem se preocupar com a avaliação do eleitorado nacional. Sim, meus secretos e declarados leitores, como se não bastasse tudo que sabemos, temos mais essa maldita herança bolsonarista. Depois alguns (per)seguidores acham que eu não gosto do genocida só porque o cabra tentou me matar… Oxi!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A arte, irmã gêmea da subversão…

A repressão e a ditadura foram, são e serão sempre “dribladas” pelo verdadeiro talento artístico. A arte com sua essência inquieta e contestadora é inimiga mortal dos regimes fascistas. 

A ditadura brasileira dos anos 60 que "nos deu de presente" a genialidade de Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros, agora, em sua recaída dos anos de trevas do bolsonarismo, nos põe, de novo, diante de uma espetacular safra do cinema nacional.

O sentimento e a motivação de atores e diretores ficam escancarados em suas falas pós-premiações. Mais do que retaliações e revanches, que também são, pontua-se nas declarações os fatos, revezes e as lições que devem ser tiradas. Conta-se a história assim como se fosse exorcizar demônios. Como disse Kleber Mendonça Filho é uma espécie de catarse. Gosto dessa palavra pois ela tem o sentido de pirraçar o sofrimento causado, assim como rir da cara da morte e das trevas…

Sim trevas, sem exagero ou força de expressão. Época que se combate a arte e o verdadeiro talento. Pois sabem os tiranos o perigo que a manifestação artística representa para quem vive de mentiras, mediocridades e preconceitos, sejam eles morais, religiosos, raciais ou estéticos. 

Consideram os ditadores/golpistas, como vimos nos anos bolsonaro, arte as manifestações bajuladoras e sem conteúdo de cantantes de uma geração “sertaneja” que jogou no esgoto a verdadeira, e respeitável, independente de gostos, cultura do sertão e do interior.

Mas o verdadeiro talento não é consentido nem acéfalo, é contestador, pensante e cheio de ginga. E o cinema, assim como a geração de ouro de nossos poetas/compositores, dá agora com Kleber uma “caneta no meio das pernas” da extrema-direita que já o marcava, com censura e truculência, desde o seu Bacurau. 

Assim como já fora driblada, ano passado, por Fernanda, Selton, Marcelo e Walter. E aí drible e ginga de corpo é o que não falta no talentosíssimo ator baiano Wagner Moura!

Dito e comemorado isto, fica o alerta da jornalista Manuela Carolina Borges, hoje no ICL, “enquanto o Agente Secreto conta ao mundo os horrores da ditadura, o congresso tenta anistiar golpistas saudosos dos militares”