Eu já rabisquei bastante sobre a escola econômica neoliberal, até para combater seus defensores, alguns que conheço bem. Já certos leigos acham até que economia é neoliberalismo. A “charmosa” Faria Lima, replicada pela grande mídia, são as culpadas por essa “impressão”. Falemos então de outras escolas econômicas, inclusive das concorrentes ao neoliberalismo.
Ao escrever sobre a escola econômica neoliberal até já citei a sua irmã mais velha, a monetarista, que foi aplicada pelo longevo czar econômico Delfim Netto entre os anos de 1967 e 1985. Talvez o civil mais cortejado pelos fardados. Passado? Sim, acredito que não precisamos viver determinado tempo para saber sobre ele. Apesar do mito, estudar não dá dor de cabeça!
Para os monetaristas a oferta de moeda é um fator-chave para determinar o nível de atividade econômica e a inflação em uma economia, maior preocupação dos economistas dessa escola. De acordo com eles, um aumento excessivo na oferta monetária causa inflação. Como por exemplo aumento de salários é visto como risco inflacionário. Já ouviram isso, né? A pretexto de conter a inflação, monetaristas e neoliberais têm verdadeiro fetiche por juros altos. Oficialmente para se conter o consumo e o consequente aumento de preços… só que há um pequeno efeito colateral, os juros altos melhor remuneram o capital dos mega investidores.
Assim como os neoliberais, os monetaristas defendem um “Estado mínimo”, com pouco poder na economia, para que se contenham os gastos públicos, pois na visão deles isso só serve para gerar inflação. Essas escolas são ferrenhas defensoras do Teto de Gastos e austeridade fiscal, que na prática serve para “travar” os investimentos em programas sociais, mas sem a mesma eficiência em relação à renúncia fiscal e benefícios para os chamados super-ricos.
No início do século passado, o trabalho do economista britânico John Maynard Keynes, deu origem a escola econômica Keynesiana, que muda fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, bem como as políticas econômicas instituídas pelos governos. A teoria keynesiana defende a intervenção ativa do Estado na economia para estabilizar os ciclos econômicos, combater o desemprego, garantir o pleno emprego e a estabilidade econômica, especialmente em tempos de crise.
Já a escola desenvolvimentista, sua irmã caçula, prioriza o planejamento estatal de longo prazo, especialmente em países subdesenvolvidos, para promover o crescimento econômico e a construção de infraestruturas. O papel do Estado é central tanto na keynesiana como na desenvolvimentista, mas com focos temporais e estratégicos diferentes.
Observa-se, portanto, que ao contrário das escolas liberais e neoliberais, as escolas Keynesiana e desenvolvimentista enxergam no Estado o papel de indutor do crescimento econômico e, também,responsável por corrigir distorções, como concentração de renda, fome e desigualdades sociais. Já ouviram falar disso? E dos BBB, não os da globo mas os “não tributados”?
Maria da Conceição Tavares, João Manuel Cardoso de Mello, Celso Furtado, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, todos da UNICAMP, são verdadeiros mestres da escola desenvolvimentista que, meus queridos leitores já devem ter reparado, é a de preferência acadêmica e ideológica deste escriba. Mas questionem, busquem livros, informações e bibliografias sobre o tema. Se tiverem tempo leiam, para quem ainda não o fez, um alemão chamado Karl Marx, inspirador da escola econômica desenvolvimentista.
Economia, desculpem puxar a sardinha, é uma ciência estratégica e fundamental. Para os detentores do capital e dos meios de produção tanto faz médico, advogado, engenheiro, físico nuclear serem neoliberais, desenvolvimentistas ou até comunistas, mas formar economista neoliberal é questão de sobrevivência para eles. Senão vejamos.
A Fundação Lemann, do empresário Jorge Paulo Lemann, o da “Americanas”, lembram?, é grande investidora em cursos de negócios, contabilidade societária e economia. A renomada Insper em São Paulo tem a Fundação Lemann como uma das suas principais controladoras. Entendem, agora, por que a “Faria Lima” e o Mercado são neoliberais convictos?
O rabisco é meu, a reflexão é de vocês… O meu perfil antigo do Facebook/Instagram já cassaram só espero que o blog não seja… afinal estou com material lá para o quarto livro…